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A lenda da Comadre Fulozinha

A Lenda da Comadre Fulozinha

A Lenda da Comadre Fulozinha

Diz a lenda que a comadre Fulozinha é uma alegre e mágica caminhante de longos e abundantes cabelos negros (à noite tornam-se acobreados, cor-de-fogo) que vive na Zona da Mata de Pernambuco e faz sempre longos passeios pela Paraíba. Essa mitológica comadre dedica seu tempo a proteger plantas e animais no que resta de áreas de floresta no Nordeste. 

Por Zezé Weiss

Misteriosa, dizem que Fulozinha aparece e desaparece num piscar de olhos, sem deixar rastros. Brincalhona, diverte-se fazendo e desfazendo tranças na cauda dos cavalos. Mas quando o assunto é a proteção da natureza, torna-se séria. Com os caçadores, usa a tática dos assobios para desorientá-los até fazê-los perder a caça.

Dengosa, gosta muito de receber presentes. Mingau, confeitos, mel e fumo são seus preferidos. Popular, em vez de “Florzinha”, prefere ser chamada mesmo é de “Fulozinha”, que é o sotaque típico do Nordeste. Contam que quando emburra, dá nós em rabos de cavalo e que, pra desatar, só com presentes.

Dizem que Fulozinha nasceu no período colonial, na mesma época do saci e do curupira, e que é parenta próxima do caipora. Em vida, era uma menina que se perdeu na mata, onde faleceu desnutrida. Desde então, seu espírito vive vagando e aterrorizando quem destrói a natureza, ou quem a chama de cabocla, porque desse nome ela não gosta mesmo!

Fontes originárias desta matéria: Sites: Cultura Nordestina   O Historiador e o Tempo. Ilustração extraída do site: História de Canguaretama, onde não aparece o crédito do autor. Fomos informados pelo autor via Facebook de que a ilustração de capa desta matéria é do talentoso Murilo Silva, a quem agradecemos. Editada por Zezé Weiss.

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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