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Leopardo nublado de Taiwan, extinto desde 2001, reaparece nas florestas de Daren

Leopardo nublado de Taiwan, extinto desde 2001, reaparece nas florestas de Daren

A última vez que havia sido confirmado um avistamento da espécie foi em 1983.

Acreditava-se que o leopardo nublado de Taiwan (Neofelis nebulosa brachyura) estaria extinto desde 2001. No entanto, guardas florestais reportaram recentes avistamentos do animal no município de Daren, Estado de Taitung, em Taiwan.

De acordo com a agência noticiosa taiwanesa CNA, um dos guardas florestais afirma que viu um desses leopardos a subir a uma árvore e a saltar para um penhasco para caçar uma cabra. Outro dos guardas garante ter visto um destes animais a correr à frente de uma moita e também a pular numa árvore.

A CNA refere ainda que, depois dos avistamentos, Kao Cheng-chi, líder da tribo Paiwan e presidente de uma associação de universidades da região da Austronésia – a região que abrange as ilhas e arquipélagos do sudeste asiático e Oceânia – anunciou que será realizada uma reunião de habitantes para que sejam investigados estes avistamentos. A caça na região já foi proibida, bem como exigido que seja interrompido o abate de árvores e outras atividades perturbadoras na região.

Também a agência florestal de Taitung reagiu às notícias e classificou estes avistamentos como “muito importantes”.

A última vez que havia sido confirmado um avistamento da espécie foi em 1983.

Até ao momento não havia qualquer registo do animal.

Leopardo nubladoAFP

Fonte: Sapo Foto: AFP

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revista 115

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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