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Arquidones Bites foi plantar lutas nos jardins do céu

Arquidones Bites foi plantar lutas nos jardins do céu
 
Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis. 
(Brecht) 
Arquidones microfone
 
Arquidones Bites Leão Leite, professor, ex-vereador de Trindade pelo Partido dos Trabalhadores (1989 -1992 e de 1997-2000), dirigente e militante do PT e de todas as  justas causas, embarcou nas asas da quimera,  partiu para as trincheiras do infinito, foi plantar lutas nos jardins do céu.
 
Um AVC hemorrágico, sofrido em sua própria residência na última terça-feira,  foi o que fez de Arquidones um encantado.  Em nota pública, assinada por Arquivaldo Bites, a família informou que, após três dias de resistência, as equipes médicas do Hospital Regional Walda Ferreira de Trindade (Hetrin, ex-Hutrin), constataram a morte encefálica de Arquidones Bites, de 60 anos de idade. 
 
Entre nós,  por todo o bom combate que travou em Terra, o  companheiro Arquidones, “torcedor fervoroso do Atlético Clube Goianiense,  o Atlético Campineiro, como ele gostava de chamar o seu time do coração. Ele não perdia uma partida do “Glorioso” ou “Dragão Campineiro”, termos que ele gostava de se referir sobre o seu time de coração,”  foi e continuará sendo  sempre um imprescindível. 
 
Nos despedimos deste nosso camarada imprescindível fazendo nossas as palavras de seu irmão Berilo Leão, postadas na tarde deste 30 de março no Instagram: 
 
O cabra que na década de 80 me levou para a luta em defesa de uma sociedade justa e fraterna nos deixou.  Foi para uma outra dimensão, deixando um legado incomparável de luta, compromisso e crença  numa sociedade fraterna e solidária; tenho muito orgulho de ter participado de várias batalhas ao lado dele. Você, Professor Arquidones,  faz jus à frase do grande Che Guevara: “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros”. Vá em paz meu irmão,  amigo, companheiro,  camarada Arquidones.” 
 
Boas novas lutas por aí, camarada Arquidones! 
 
arquidones1 bolsonora
 
Zezé Weiss – Jornalista, com os profundos sentimentos de pesar da equipe da Revista Xapuri à família, companheiros, companheiras e amizades de Arquidones Bites Leão Leite. 
 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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