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“Liberdade de Lula tem a ver com a manutenção de direitos”

Liberdade de Lula tem a ver com a manutenção de direitos, diz Nobre

Para presidente da CUT, é preciso construir mobilização permanente para denunciar a condenação injusta e exigir a liberdade do presidente Lula
Por CUT
Em sua primeira atividade pública desde que foi eleito presidente Nacional da CUT, no último dia 10, Sérgio Nobre, indignado com a situação do país, incentivou ainda mais a disposição de luta de quem participou do “Ato Justiça para Lula”, que aconteceu neste domingo (13), na Avenida Paulista, em São Paulo.
Mais de 10 mil pessoas que foram à Paulista defender liberdade e justiça para Lula ouviram atentamente Nobre em seus mais de 8 minutos de fala sobre a destruição do país desde o golpe de 2016, os ataques de Jair Bolsonaro (PSL) contra a classe trabalhadora e contra a soberania do Brasil, a farsa da operação Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro para prender Lula e eleger Bolsonaro e o que tudo isso significa para os trabalhadores e as trabalhadoras do país.
O presidente da CUT também contou como foi à visita ao ex-presidente Lula, na semana passada, em Curitiba, e disse que a liberdade de Lula tem a ver com a defesa dos direitos da classe trabalhadora.
“Lula me disse que só sai de lá [da prisão política onde está desde abril de 2018] quando a classe trabalhadora entender que a liberdade dele tem a ver com a manutenção dos direitos”.
“Solto, Lula vai viajar esse país junto com a CUT e os movimentos sociais para defender a Amazônia, a Petrobras e o pré-sal. Então a liberdade de Lula tem a ver com nossos direitos, a conquista do emprego e um país com soberania”, destacou o presidente da CUT, Sergio Nobre.
De acordo com o dirigente, é preciso “construir mobilização permanente com mutirões não só nos locais de trabalho e nas portas de fábricas, mas também nas periferias e nas feiras para denunciar [o julgamento parcial] e exigir a liberdade do presidente Lula, que virá”.
Além dos movimentos sociais, sindicais e partidos políticos, a deputada Federal e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, e o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, também estavam presentes no ato deste domingo

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Destruição do país e a resistência
Nobre pontuou a retirada de direitos e o ataque à soberania do país desde o golpe de 2016 até os dias de hoje. Segundo o presidente da CUT, tudo que foi construído desde a destituição da presidenta Dilma Rousseff até a prisão de Lula foi uma farsa montada junto com a direita para fraudar a eleição em 2018.
“A Lava Jato, que a gente já denunciava desde o início, a pretexto do combate à corrupção, tinha um projeto político e um projeto de poder. Para consolidar o seu projeto tinha que prender o presidente Lula e as denúncias do ‘ Intercept Brasil’ mostram de forma clara o que eles queriam na verdade”.
E sem Lula, aponta o presidente da CUT, eles ficaram a vontade para colocar o projeto político deles na prática, privatizar a Embraer, destruir o setor da construção civil, as universidades brasileiras, a pesquisa, a ciência, os direitos trabalhistas e previdenciários e, se não bastassem, ainda querem a privatização da Petrobrás e do Pré-sal e das empresas públicas tão importante para o desenvolvimento do país.

A classe trabalhadora tem uma missão importante de não permitir a destruição da soberania e não permitir a entrega dos direitos duramente conquistados
– Sergio Nobre

O presidente da CUT disse que o 13° Congresso Nacional da CUT aprovou a realização de um ato em frente à sede do Ministério da Economia, no próximo dia 30 de outubro contra a política econômica e entreguista de Bolsonaro e o ministro Paulo Guedes, da Economia, em defesa da Petrobras e a Amazônia. “E queremos chamar todos a todos para que estejam presentes nessa luta”, disse Sérgio ressaltando que vai conversar com as demais centrais e movimentos sociais para participarem do ato que é em defesa do Brasil e dos brasileiros.
Fonte: PT


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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