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“Não é nesse governo que os povos indígenas vão abaixar a cabeça”

Não é nesse governo que os povos indígenas vão abaixar a cabeça’, diz Lindomar Terena

Da RBA

O tradicional Acampamento Terra Livre, que este ano está marcado para ocorrer entre os dias 24 e 26, nunca protagonizou violência. A afirmação é do líder indígena Lindomar Terena, integrante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Terena considera a decisão do ministro da Justiça, Sergio Moro, de convocar a Força Nacional de Segurança para atuar em Brasília pelos próximos 33 dias uma demonstração de incapacidade de conviver com a democracia e de respeitar os direitos dos índios.

“É um contexto diferente, em que o Estado se posiciona declaradamente contra os direitos dos povos indígenas. É evidente que não vamos sair da nossa região para afrontar alguém, vamos lá defender o nosso direito, o futuro das nossas gerações. Agora, uma vez que o Estado decreta por 33 dias o uso da Força Nacional, dizem eles que é para cuidar do patrimônio público, quando na verdade demonstra a incapacidade de diálogo no sentido de cumprir o que diz a Constituição Federal brasileira”, afirma Terena à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual. “Não vamos confrontar, mas não vamos recuar. Não é nesse governo que os povos indígenas vão abaixar a cabeça e dizer amém para eles.”

Segundo ele, o encontro será um grande evento, reunindo lideranças indígenas de diversos lugares do país. Lindomar Terena explica que o Acampamento Terra Livre, a principal e a maior assembleia dos povos indígenas do Brasil, representa uma luta de resistência pelo direito de existir e pelo reconhecimento territorial que vem desde 1500.

“A luta dos povos indígenas não é apenas dos povos indígenas, é a defesa do meio-ambiente e da natureza, e acima de tudo a luta pelos nossos direitos. O Estado brasileiro está em dívida com os povos indígenas. Os povos indígenas têm cobrado a demarcação do seu território, têm cobrado a implantação de uma saúde diferenciada, de uma educação de melhor qualidade. Tudo isso dentro da lei. É uma luta que sempre foi pacífica, sempre foi buscando o que está escrito na Constituição Federal brasileira”, pondera o também integrante do Conselho do Povo Terena.

Por outro lado, ele reclama que a violência protagonizada por ruralistas contra os índios brasileiros não é motivo de preocupação por parte do governo Bolsonaro.

Ouça a entrevista na íntegra

Fonte: https://www.sul21.com.br/ultimas-noticias/politica/2019/04/nao-e-nesse-governo-que-os-povos-indigenas-vao-abaixar-a-cabeca/

ATL EBC 2019Foto: EBC

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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