LULA NO ACRE: INVESTIMENTOS, RECONEXÃO E ESPERANÇA

LULA NO ACRE: INVESTIMENTOS, RECONEXÃO E ESPERANÇA

Lula no Acre: investimentos, reconexão e esperança

A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Acre em 8 de agosto de 2025 foi marcada por um gesto político e afetivo. Após uma década, ele retornou ao estado trazendo consigo não apenas promessas, mas ações concretas que somam R$ 1,1 bilhão em investimentos federais.

Uma agenda disputada

Na atual conjuntura da política global e nacional, a agenda do presidente tem sido bastante disputada. Mesmo assim, Lula, encontrou tempo para vir a Rio Branco anunciar e entregar investimentos que irão transformar a realidade do estado.

Acompanhavam o presidente os ministros da Educação, Camilo Santana; do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; de Transporte, Renan Filho; de Planejamento e Orçamento do Brasil, Simone Tebet; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; e de Desenvolvimento e Assistência Social, Welington Dias; além do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil), Jorge Viana, que, pessoalmente, se empenhou na construção da agenda do Lula no Acre.

Principais investimentos anunciados

Os investimentos anunciados irão para a recuperação da BR-364, essencial para o escoamento da produção acreana; construção de ponte no município de Rodrigues Alves e melhorias em estradas vicinais;  o programa Luz para Todos, beneficiando cerca de 6 mil famílias em áreas remotas; para o Instituto Federal do Acre (IFAC), incluindo novo campus no município de Feijó; para educação básica e superior: creches, escolas em tempo integral, ônibus escolares; regularização fundiária, concessão de títulos de terra e créditos rurais, criação de novos assentamentos e entrega de 977 contratos de uso; para a recuperação da Reserva Extrativista Chico Mendes; para o programa Amazônia na Escola e para o projeto Sanear Amazônia, garantindo água potável a comunidades isoladas.

Porém, mais que a entrega de investimentos financeiros, mais que uma agenda técnica, a visita foi um reencontro emocionante com a militância histórica do PT e com os povos da floresta. Lula foi recebido com entusiasmo por antigos companheiros e companheiras e pela juventude, sob o calor intenso de agosto, em um evento que reacendeu a chama da esperança e da mobilização popular

Foi o reavivar de uma chama que se pensava apagada, qual “fogo de monturo”, que queima sem fazer labaredas, bastou um sopro, uma lufada de esperança, para reacender.

A semana que antecedeu o dia da visita foi de muita movimentação da militância, que queria ver o “companheiro”.  Foi uma semana de mobilização, como nos tempos  em que o PT governava o estado.

A Política como ponte

Ao lado do governador Gladson Cameli e de ministros de diferentes áreas, Lula mostrou que o diálogo pode superar divergências partidárias. A cerimônia na Cooperacre, referência na produção de castanhas, simbolizou essa união em prol do desenvolvimento regional. Sua passagem no Acre foi meteórica, mas, deixou a esperança de que um Brasil melhor ainda é possível.

Marcos Jorge Dias – Escritor, Jornalista, membro do Conselho Editorial da Revista Xapuri.  

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p style=”text-align: justify;”>Fotos: Marcos Jorge Dias

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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