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WANGARI MAATHAI

Wangari Maathai: A Mãe da Terra

Wangari Maathai: A Mãe da Terra

Wangari Maathai faz parte de um grupo de pessoas revolucionárias que conseguiram juntar em uma só bandeira as justas causas do meio ambiente e dos direitos humanos. Assim como Chico Mendes na Amazônia, Maathai lutou duramente contra a expropriação das terras públicas pelos barões do latifúndio no Quênia…

Por Zezé Weiss

 O Prêmio Nobel da Paz, no ano de 2004, chegou de surpresa para a professora Wangari Muta Maathai,  nascida na aldeia de Tetu, nas montanhas do centro do Quênia, distante cerca de 160 quilômetros da capital do país, Nairóbi, na década de 1940. Em boa parte do planeta, era a primeira vez que se ouvia  Movimento Cinturão Verde, criado pela ambientalista Wangari Maathai para a construção de uma sociedade sustentável.

A primeira mulher das Áfricas Central e Oriental a obter um título de doutora (em Ciências Biológicas, nos Estados Unidos), a primeira mulher a trabalhar como professora universitária e a primeira a tornar-se presidenta do Departamento de Anatomia Veterinária da Universidade de Nairobi inspirou-se no Movimento de Direitos Civis para criar o Movimento Cinturão Verde.

Nos anos 1970, as camponesas da África de Maathai viviam situações de grande penúria pela ausência das condições mínimas de vida, mas sobretudo pela falta de água. Wangari começou então a explicar para as comunidades a importância de combater o desmatamento plantando árvores. “Voltando o verde, volta a água”, ela costumava dizer.

Em 1977, com o apoio do Conselho Nacional de Mulheres do Quênia, Wangari Maathai criou o Movimento Cinturão Verde (Green Belt Movement), um espaço plural e democrático  para promover a conservação ambiental, construir a resiliência climática, fortalecer as comunidades, empoderar as mulheres na construção de um mundo mais sustentável.

“Hoje enfrentamos um desafio que exige uma mudança no nosso pensamento, para que a humanidade pare de ameaçar o seu suporte de vida. Somos chamados a ajudar a Terra, a curar as suas feridas e, no processo, curar as nossas –, a abraçar de verdade toda a criação em toda a sua diversidade, beleza e maravilha. Reconhecer que o desenvolvimento sustentável, a democracia e a paz só resultam juntos,” resumiu Maathai ao explicar ao mundo seu Movimento.

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ECOLOGIA E DIREITOS HUMANOS

Wangari Maathai faz parte de um grupo de pessoas revolucionárias que conseguiram juntar em uma só bandeira as justas causas do meio ambiente e dos direitos humanos. Assim como Chico Mendes na Amazônia, Maathai lutou duramente contra a expropriação das terras públicas pelos barões do latifúndio no Quênia.

Democrata, em 1989, quando seu país ainda vivia sob o sistema de partido único, sob o comando do então presidente Daniel Arap Moi, a militante Wangari liderou uma campanha contra o Kenya Times Media Trust, um poderoso empreendimento para a construção de 60 andares no Parque Uhuru, um parque público de 13 hectares localizado ao lado do Centro de Negócios de Nairóbi.

Uma década mais tarde, de novo lá estava Maathai liderando a comunidade contra um grupo econômico interessado na redução de 1.041 para 564 hectares da Floresta Karura, na área urbana de Nairóbi. A área da floresta acabou por ser reduzida, mas não sem luta.

ACIMA DE TUDO, UMA DEMOCRATA

Em 1992, ano das primeiras eleições pluripartidárias no Quênia, Wangari fez greve de fome no Parque Uhuru, junto a um grupo de mães e ao movimento Libertação de Prisioneiros Políticos (RPP), para exigir a libertação de seus filhos, que estavam presos e sem perspectiva de julgamento por supostos crimes políticos, em um protesto que durou 11 meses.

Por fim, o governo recuou e liberou os presos políticos. O Parque Uhuru passou ser chamado de “Parque Canto da Liberdade” e o Movimento Cinturão Verde, que em seus primeiros anos de vida plantou 50 milhões de árvores, tornou-se instrumento fundamental na educação das comunidades para a promoção da paz e a preservação do meio ambiente.

Por sua luta de uma vida inteira recebeu os Prêmio Right Livelihood, o Prêmio Ambiental Goldman e o Prémio Indira Ghandi, foi reconhecida pela Legião de Honra Francesa, em 2004 veio o Nobel da Paz e em 2005 recebeu de onze chefes de Estado da região do Congo o título de Embaixadora da Boa Vontade para o Ecossistema Florestal da Bacia do Congo.

Em 2016, a Estrada da Floresta, no Condado de Nairóbi, foi renomeada pelo governo como Estrada Professora Wangari Maathai. E a Universidade de Nairóbi criou o Instituto para a Paz e Educação Ambiental Wangari Maathai, para imortalizar os ideais da primeira mulher africana a receber o Prêmio Nobel da Paz.

Um cancro nos ovários levou Wangari Maathai do espaço físico deste mundo em 25 de setembro de 2011, aos 71 anos de idade. Seu legado persiste. Em 2012, a União Africana designou o 3 de março, Dia do Meio Ambiente na África,  como o dia de Wangari Maathai.

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Zezé Weiss – Jornalista

 

 
 
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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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