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Lula saiu da cadeia falando em educação, trabalho, direitos, e mais: falando de afetos.

Lula saiu da cadeia falando em educação, trabalho, direitos, e mais: falando de afetos.

Por Vinícius Carvalho

Lula saiu da cadeia falando em educação, trabalho, direitos, e o que mais me chamou a atenção: falou de afetos.

Amor, tesão e prazer. Jovem tem que ter prazer. Ele disse isso, exatamente nessas palavras.

Enquanto o Bolsonaro com o seu mau hálito, higiene parca e coloração de enfermo só fala em morte e repressão sexual.

São dois polos distintos. Vocês percebem?

E Lula saiu bonito da Federal, coroa gato, bem vestido mesmo estando de camiseta básica cinza e calça bem cortada. Sem ostentação e ao mesmo tempo sem fuleiragem. Estilo minimalismo escandinavo. Eu sempre falo que a nossa crise é também estética.

É isso que os nanicos de esquerda vestidos com calças de saco de batata, cecê no suvaco parecendo o vocalista do Jethro Tull não ententem e eu bato sempre na tecla: jovem que não tem lazer, acesso a cultura e prazer, é jovem reacionário e psicótico. Mas pra isso vocês precisam ser interessantes para eles, não apenas chatos.

Sejam gatos como o Lula. O comunista e o militante brasileiro em vias de regra é feio e tem cara de lesado e de punheteiro. Sejam bonitos, exalem ferormônios que a revolução virá da potência e potência só vem do tesão, da paudurescência e do grelodurescência.

Eu mesmo já até joguei a toalha. Vocês sabem que eu to nojento, que eu não discuto mais com gente feia né?

Che era bonito. Lenin era gato. Stalin era gostoso. Lula é filé. Fidel Castro era brocador. Rosa de Luxemburgo era tesão. Carlota, do movimento de independência de Angola, era sex symbol. Angela Davis sempre foi mais gata que a Gisele Bündchen.

Fonte: Facebook

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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