Lurian, a filha de Lula: a dor, a indignação, a resistência

O comovente desabafo de Lurian, a filha de Lula depois do interrogatório agressivo a que ele foi submetido pela juíza substituta da Lava Jato

Por: Leonardo Boff

Publico este comovente testemunho da filha de Lula, Lurian, depois do interrogatório feroz em Curitiba por ocasião do sítio de Atibaia. Ficou claro que o sítio não pertence a ele nem as reformas foram consequência de favorecimentos ilícitos. Foi iniciativa do dono. No dia 12 de novembro, a pedido dele, o visitei na solitária a que está injustamente condenado.
A primeira pergunta que lhe fiz foi:”Lula,como está a sua alma?” Ao que me respondeu:”Está tranquila com a tranquilidade dos justos porque a consciência não me acusa de nada do que me acusam. Mas estou indignado pela injustiça, pela não apresentação de materialidade nas acusações que me assacam. A injustiça me fere profundamente. Mas não guardo rancor nem ódio. Não é virtude, é de meu caráter.”
Lê muito, grandes calhamaços sobre petróleo, sobre políticas públicas,sobre a história do Brasil. Reflete sobre equívocos e acertos de seu governo. E como o PT deve melhorar a sua linguagem e renovar seu contacto orgânico com as bases de onde veio. E sustentar que o grande desafio que devemos enfrentar é a injustiça social  que castiga milhões de irmãos e irmãs, que chamam neutramente de desigualdade.
Deixei-lhe uns 30 exemplares de literatura de cordel que, como nordestino, muito aprecia. E reza. Eu que fui consolá-lo saí consolado pois está calmo, sorridente, piadeiro e cheio de humor que encanta os guardas que se tornaram fãs dele. Chegará o dia – oxalá seja logo – em que a verdade virá à luz e se fará a justiça devida.
O DESABAFO DE LURIAN
Ontem eu via a imagem de um homem forte, mas triste, num embate com uma juíza e um promotor soberbos….

Ontem eu vi a justiça agir de forma cega e insensível perante um homem, de 73 anos, inocente, que luta todos os dias para que desfaçam o mínimo da maldade atentada contra ele e sua família.

Ontem eu vi uma jovem mulher que poderia entrar pra história como digna e justa, tratar um inocente com desrespeito, intolerância e total parcialidade.

Ontem eu vi a dor de um homem que injustamente está sendo privado do convívio dos seus amigos, do seu povo, mas principalmente da sua família, das pessoas que ama, dos seus filhos, netos e bisneta…

Ontem eu vi um olhar de tristeza.

Ontem eu vi um olhar de indignação.

Ontem eu ouvi uma súplica: “me leva com você”.

Ontem meu coração partiu em mais pedaços, meu corpo se sentiu mais cansado…

Meu pai, meu amor, TODOS sabem da sua inocência, inclusive os que te julgam, condenam e maltratam.

A história vai cobrar… não estaremos mais aqui pra ver, mas num futuro, a história mostrará quem é quem…

Continuo aqui, com fé, com amor e com esperança

ANOTE AÍ: 

Depoimento COMPLETO de Lula à juiza Gabriela Hardt em 14/11/2018

Vídeo enviado por NINJA NEWS HD

https://www.youtube.com/watch?v=JYcTIZHIBYc

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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