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O alerta de Pepe Mujica

O alerta de Pepe Mujica

A recente crise na América do Sul tem atualmente seu epicentro na Colômbia, governada pelo progressista Gustavo Petro, e culminou com a prisão de seu filho por lavagem de dinheiro e financiamento ilegal.

Por Alberto Cantalice/Revista Focus Brasil

Longe de querer tecer juízos de valores morais ou assumir uma postura de udenismo redivivo, lembro de uma entrevista concedida pelo grande Pepe Mujica ao diário El Pais, da Espanha,  em 2015. “Se misturamos a vontade de ter dinheiro com a política estamos fritos. Quem gosta muito de dinheiro tem que ser tirado da política. É preciso castigar essa pessoa porque ela gosta de dinheiro? Não. Ela tem que ir para o comércio, para a indústria, para onde se multiplica a riqueza”, declarou na ocasião.

Vítima de uma perseguição atroz por parte das forças conservadoras que dominam parte significativa do parlamento colombiano, Gustavo Petro lamentou a prisão de seu filho e garantiu isenção total nas investigações: “Como afirmei perante o procurador-geral, não vou intervir ou pressionar suas decisões; deixe a lei guiar todo o processo”.

Antes que a mídia nacional e internacional fizesse seu antecipado “julgamento”, o chefe de Estado se pronunciou. Acusação séria. Deve ser tratada com a devida importância que tem. Sem uso político por parte dos órgãos de controle.

Lá como cá, é preciso ter olho vivo com as tentativas de usurpação de poderes, fatos que aconteceram no com Dilma e Lula, na Bolívia de Evo Morales, no Paraguai de Fernando Lugo e na Argentina de Cristina Kirchner. Às vezes o golpismo se reveste de “legalidade parlamentar” ou de “investigação judicial”, para servir interesses políticos ou geopolíticos de oligarquias locais ou a interesses estrangeiros.

Quem sofreu as agruras do lawfare da fatídica Farsa Jato não pode achar que tudo isso é normal. Não é.

O funcionamento pleno dos poderes da República autônomos e independentes é fundamental para o fortalecimento da democracia. Por isso os princípios básicos do devido processo legal, o direito de defesa e ao contraditório figuram nas Constituições mundo afora.

Fonte: Revista Focus Brasil Capa: Ricardo Stuckert


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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