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O Cerrado também queima: Focos de fogo aumentam 100% em 2019

O Cerrado também queima: Focos de fogo aumentam 100% em 2019

Dados do Inpe mostram que focos de incêndio na região Centro-Oeste aumentaram 100% entre 2018 e 2019

Por Raphael Veleda/Metrópoles

Todos os olhos estão voltados para a Amazônia, mas dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o aumento dos focos de incêndio em relação ao ano passado é um fenômeno generalizado no Brasil. Somando-se os 26 estados e o DF, o órgão já registrou 84.957 focos de incêndio do início do ano até a última quarta-feira (28/08/2019), ou seja, aumento de 75% considerando o mesmo período de 2018.

A situação no cerrado, por exemplo, é grave. De 11 unidades da Federação que abrigam esse bioma, apenas em duas (Piauí e São Paulo) houve redução na contagem de focos de incêndio, segundo o Inpe (-20% e -27%, respectivamente).

Na região Centro-Oeste, quase toda ocupada pelo cerrado, o Inpe registrou expressivo aumento de 100% no número de incêndios florestais, de 11.035 focos no ano passado para 22.128 até agora, em 2019. Entre as cinco regiões brasileiras, o aumento do fogo no Centro-Oeste só fica atrás do índice registrado no Norte, lar da Amazônia: onde já foram registrados 40.211 focos de incêndio, 121% a mais do que no ano anterior.

Fonte: Raphael Veleda – 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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