ONÇA-PINTADA, A SOBERANA DA AMÉRICA DO SUL

ONÇA-PINTADA, A SOBERANA DA AMÉRICA DO SUL

A onça-pintada (Panthera onca) é o terceiro maior felino do mundo, ficando atrás apenas do tigre e do leão. Nas Américas, ocupa posição de destaque por ser o maior felino do continente e o principal predador de topo da cadeia alimentar.

Por Thaís Silveira

É um animal de hábitos predominantemente solitários, vivendo e caçando individualmente. Seus filhotes acompanham a mãe até aproximadamente 17 meses de vida, período em que aprendem a caçar, nadar e usar técnicas de camuflagem e sobrevivência. Após esse período, saem em busca de seu próprio território.

Trata-se de um predador oportunista e altamente eficiente, capaz de capturar uma grande variedade de presas. Quem nunca viu, nas redes sociais, os duelos em que a onça aguarda imóvel uma oportunidade para atacar um jacaré? No momento exato, ela pula sobre a presa e inicia uma intensa luta debaixo d’água, vencendo o confronto e conquistando sua presa na maioria das vezes.

São animais rápidos, ágeis, bons escaladores, excelentes nadadores e implacáveis na caça. Dificilmente sua presa escapará de um ataque. Além disso, possuem a mordida mais poderosa entre todos os felinos. Nos machos, seus caninos podem medir até 6,5 cm de comprimento. São capazes não só de morder suas presas, mas também de perfurar facilmente o crânio delas.

As onças-pintadas possuem manchas escuras em sua pelagem, chamadas de rosetas. Na natureza, não existem dois animais com o mesmo padrão de manchas, pois ele é exclusivo de cada indivíduo. Assim como os humanos possuem impressões digitais únicas, que os diferenciam de outros indivíduos, as onças-pintadas também possuem padrões de pintas únicos, que permitem a identificação individual de cada animal.

Alguns indivíduos podem apresentar a pelagem escura e ser popularmente conhecidos como panteras-negras, mas continuam sendo onças-pintadas. Isso ocorre devido a uma mutação genética chamada melanismo. Essa mutação também ocorre em outros felinos, como os leopardos.

Panthera onca in zoo

Foto: Andrew Coyle/WilkMediaCommons/Reprodução

A onça-pintada melânica também possui rosetas, porém elas só podem ser observadas dependendo da incidência de luz sobre sua pelagem.

Apesar de toda sua força e capacidade de adaptação, a onça-pintada enfrenta ameaças como a perda de habitat, os conflitos com atividades humanas e a caça ilegal, além de atropelamentos constantes em rodovias. Garantir sua sobrevivência é preservar o equilíbrio dos ecossistemas e assegurar que as futuras gerações possam continuar convivendo com um dos mais fascinantes felinos do planeta.

thais silveira 1Thaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Com informações do portal ONÇAFARI (https://oncafari.org/Capa: Wikipedia

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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