Para as noites de luar, a Serenata de Olinda!
Violões, violinos, bandolins, acordeons. Bolero, chorinho, forró, frevo, tango, marchinha, samba. Vozes cantando e palmas compondo o coro. Flores distribuídas para as mulheres.
Por Eduardo Pereira
Desde 1987, nas noites de sexta-feira, exceto no carnaval, moradores apaixonados e turistas entusiasmados formam animado cortejo pelas ruas e becos de casarios do Sítio Histórico de Olinda, em Pernambuco, para acompanhar, a pé, e com sorte à luz luar, a Serenata de Olinda.
Não há burocracia, nem custo. Para acompanhar a Serenata de Olinda, basta se juntar à concentração de pessoas que sai por volta das 21h30 das escadarias da Igreja de São Pedro Apóstolo, na Praça João Alfredo. Na última sexta-feira do mês, o ponto de partida é a Faculdade de Olinda, seguindo pela Avenida Liberdade.
O trajeto passa pela Rua Prudente de Moraes, fazendo parada nos Quatro Cantos – área conhecida por reunir bares –, Mercado da Ribeira, Prefeitura de Olinda e Rua 27 de Maio. O retorno para a praça da igreja ou para os portões da universidade acontece por volta da meia-noite. Mas pode demorar um pouco mais, quando muitas janelas e portas se abrem para saudar os músicos ao longo do caminho.
Dois grupos musicais, o Luar de Olinda e os Seresteiros de Olinda, cada qual com cerca de 12 a 20 integrantes, dos quais grande parte são músicos amadores, se revezam para tocar um repertório de 80 a 100 músicas. Essa é, segundo os moradores, uma forma bonita e criativa de proteger o Patrimônio Histórico de Olinda.
Aliás, a Serenata surgiu depois de um plebiscito realizado em 1987, onde 70% dos moradores votaram contra a abertura do sítio histórico aos carros. Foi decidido o fechamento parcial, com acesso permitido somente em determinados horários.
Para celebrar a medida, na sexta-feira de 8 de maio de 1987, um grupo saiu pelas ruas tocando músicas variadas para celebrar a medida. Ali nascia a Serenata de Olinda!
Eduardo Pereira – Produtor Cultural
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Elizabeth Teixeira, Resistente da Luta Camponesa
As Ligas Camponesas começaram a acontecer no campo brasileiro por volta do ano de 1945. Abafadas depois da queda de Getúlio Vargas (outubro 1945), as Ligas ressurgiram em 1955, no Engenho Galileia, em Vitória de Santo Antão, no estado de Pernambuco.
Por Redação Xapuri

Foto: MST
Foi a partir do Engenho Galileia, em uma comunidade de 104 famílias que, em 1º de janeiro de 1955, as Ligas Camponesas voltaram a agir. De lá, sob o comando do Partido Comunista Brasileiro (PCB), por nove aos seguidos, elas voltaram a atuar nas lutas do campo, até serem extintas pelo golpe militar de 31 de março de 1964.
Entre 1955 e 1964, as Ligas conseguiram várias conquistas, como a desapropriação das terras do Engenho Galileia (1959 – 1º Ato de Reforma Agrária no Brasil pós-II Guerra Mundial), o Estatuto do Trabalhador Rural (1963) e o Estatuto da Terra (1964 – promulgado em novembro de 1964, mesmo depois do Golpe).
Embora não tenha sido seu criador, foi o deputado estadual e advogado pernambucano Francisco Julião (1915-1999), junto com o líder Gregório Bezerra (1900-1983), que deu relevância política às Ligas Camponesas. Foi Julião quem criou o nome Ligas Camponesas e é também de Julião a palavra de ordem do movimento: “Reforma Agrária na Lei ou na Marra”.
Entretanto, é a mulher de um líder trabalhador rural, negro e sem terra, João Pedro Teixeira, assassinado em uma emboscada no município de Sapé, em 1962, Elizabeth Teixeira, nascida em 1925, em Sapé, na Paraíba, quem personifica a extraordinária resistência da mulher nas Ligas Camponesas.
Depois da morte do marido, Elizabeth reuniu a militância da Liga em uma grande Assembleia, com mais de dois mil participantes. Elizabeth relembra que todas as mulheres dos companheiros das Ligas compareceram à Assembleia e falaram em uma só voz: “Elizabeth, estamos com você no seguimento à luta de João Pedro!”. Ela assumiu, então, a liderança das Ligas Camponesas e, a partir da, sofreu diversos atentados de morte.
Em 1964, Elizabeth é presa pelo Exército e passa oito meses na cadeia. Na volta, foge para não ser morta. Muda de cidade e nome, com apenas um dos 11 filhos – Carlos. Vai para São Rafael, no Rio Grande do Norte.
Ali, passou a viver clandestina com a identidade de Marta Maria da Costa. Em 1981, foi encontrada pelo cineasta Eduardo Coutinho, que retomara as filmagens de seu documentário Cabra Marcado para Morrer, sobre seu marido. Foi morar em João Pessoa, numa casa que ganhou de Coutinho.
Em suas palavras: “Enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e explorados. Não pode parar.” A casa onde Elizabeth viveu com João Pedro, em Sapé, foi tombada e destinada a abrigar o Memorial das Ligas Camponesas, em 2011.
Texto: Redação Xapuri – Foto Interna: Mídia Ninja

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p style=”text-align: center;”>Foto: Diogo Almeida/G1
