SEIS MITOS ULTRAPASSADOS SOBRE O NORTE DO BRASIL

SEIS MITOS ULTRAPASSADOS SOBRE O NORTE DO BRASIL

SEIS MITOS ULTRAPASSADOS SOBRE O NORTE DO BRASIL

A região Norte do Brasil, especialmente a Amazônia, ainda carrega uma série de mitos que influenciam a visão popular sobre essa parte do país. Enquanto alguns deles são inspirados pelo folclore (como as lendas do boto cor-de-rosa ou do protetor das florestas, o Curupira), outros refletem estereótipos que distorcem a realidade e perpetuam preconceitos. Um exemplo comum? A imagem de onças e búfalos andando livremente pelas cidades

Por Instituto Mondo/Redação

Embora seja verdade que a riqueza natural da Amazônia contraste com desafios socioeconômicos sérios, como ocorre no arquipélago do Marajó — o maior do mundo em rios e mares —, essa não é uma característica exclusiva do Norte. Em outras áreas do Brasil também encontramos disparidades sociais, mas isso não gera uma visão caricatural ou desrespeitosa delas. 

Com os olhos do mundo voltados para a Amazônia e diante da importância dela para o clima global, já passou da hora de repensar alguns conceitos ultrapassados sobre o cotidiano no Norte. Essa região é, sim, uma extensa floresta, mas também abriga cidades pulsantes, uma economia crescente e uma população ativa que vive como em qualquer outra parte do Brasil. Vamos explorar o Norte real?

MITO 1: ANIMAIS SELVAGENS POR TODA PARTE

No Norte do Brasil, que engloba estados como Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, não é comum encontrar animais como onças ou búfalos nas ruas das cidades – muito menos se deparar com sucuris cruzando o caminho para a escola ou o trabalho. Nas capitais como Belém e Manaus, os animais urbanos mais frequentes são, na verdade, pombos. No Arquipélago do Marajó, que conta com 17 municípios, você até vai se deparar com búfalos no cotidiano de algumas das comunidades (em Soure, por exemplo, eles são utilizados no policiamento da região, uma tradição que dura mais de três décadas), mas não é tão comum quanto se imagina. Como qualquer outra metrópole brasileira, a Amazônia tem vida urbana, com prédios, empresas, e, claro, muita vegetação – mas de maneira única em comparação com outras cidades do país.

MITO 2: A AMAZÔNIA É ISOLADA E DIFÍCIL DE CHEGAR

Embora a Amazônia seja vasta, isso não significa que seja inacessível. Manaus, por exemplo, possui um dos polos industriais mais dinâmicos do Brasil, e o Pará é uma referência em exportação, contando com infraestrutura portuária estratégica para o comércio exterior. A Zona Franca de Manaus é prova da importância econômica da região. Além disso, a Amazônia recebe grande destaque na pesquisa científica, atraindo especialistas de várias áreas do conhecimento, de todas as partes do mundo. Em 2025, Belém sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP-30), trazendo visitantes de centenas de países e desmistificando essa ideia de uma região inacessível.

MITO 3: O NORTE É SÓ FLORESTA E RIOS

Amazônia abriga uma das florestas mais grandiosas do mundo, mas a vida na região Norte é bem mais diversificada. As cidades são ricas em história e cultura, com arquitetura colonial preservada, museus e eventos únicos. Belém, o Pará e o Marajó misturam vegetação exuberante com uma vida urbana dinâmica e um patrimônio cultural vibrante.

MITO 4: A VIDA NO NORTE SE RESUME A UM CONTRASTE ENTRE RIQUEZA NATURAL E POBREZA

Embora a região apresente indicadores sociais que requerem melhorias, esse retrato simplista de abundância natural versus pobreza é incorreto. No Norte, encontram-se iniciativas de desenvolvimento sustentável e indústrias que promovem a economia local e a qualidade de vida. A região não é um mero contraste: é um lugar de desafios complexos que incentivam o desenvolvimento equilibrado e sustentável.

Cidades do Marajó abrigam cultura rica e diversa, onde a fusão de história e natureza vai além dos estereótipos. Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará

MITO 5: O MARAJÓ SE RESUME A BÚFALOS E COMUIDADES RIBEIRINHAS

O Arquipélago do Marajó, que é o maior arquipélago fluviomarítimo do planeta, possui uma cultura rica e diversa. Os búfalos são um símbolo icônico, mas o Marajó também abriga uma população dedicada à produção artesanal, gastronomia regional e cerâmica tradicional, com raízes que remontam a culturas pré-coloniais. Além dos ribeirinhos, a ilha é o lar de quilombolas e pescadores artesanais, extrativistas e outros. Marajó é uma fusão de história e natureza que vai além dos estereótipos.

MITO 6: A AMAZÔNIA É O “PULMÃO DO MUNDO”

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Essa frase é famosa, mas não completamente precisa. Embora ressalte a importância da floresta, o verdadeiro “pulmão do mundo” são os oceanos, que, por meio de organismos como algas, absorvem dióxido de carbono e liberam oxigênio. As plantas da Amazônia, em larga escala, produzem oxigênio, mas o consomem em seu próprio processo de respiração. A função da floresta vai além desse mito: a Amazônia influencia as chuvas no Brasil e ajuda a regular a temperatura global. A preservação dela é vital no combate às mudanças climáticas, cujos fenômenos têm causado desastres e comoção em várias partes do Brasil e do mundo.

E agora, que tal ver o Norte do Brasil sob uma nova perspectiva?

Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará

Fonte: Instituto Mondó: Instituto Mondo. Capa: Rafael Luz/Agência Luz.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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