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Senado inscreve Paulo Freire no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

Senado inscreve Paulo Freire no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria

Do PT Senado/PT Nacional

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (25) o projeto de lei (PL 148/2017) que inscreve o nome do educador Paulo Freire no Livro dos Heróis e das Heroínas da Pátria, no ano do centenário de seu nascimento.
A iniciativa, da ex-senadora Fátima Bezerra (PT), hoje governadora do Rio Grande do Norte, foi relatada pelo líder do PT no Senado, Paulo Rocha (PA), que fez uma homenagem à autora da proposta e à primeira relatora, Lídice da Mata (PSB-BA), hoje deputada federal.
“Paulo Freire é dessas figuras singulares capazes de engrandecer e envaidecer qualquer Nação. Graduado em direito, com doutorado em filosofia e história da educação, foi na pedagogia que o educador realmente se destacou, com teses e abordagens marcadas por uma profunda preocupação com as injustiças sociais, propondo a educação como caminho de libertação e construção da cidadania”, afirmou Paulo Rocha.
O líder destacou a projeção internacional da obra do educador, os livros publicados, os diversos prêmios recebidos, a importância para o país e o mundo de seu método de alfabetização de adultos e sua participação ativa no processo de redemocratização do Brasil, após ter se exilado na Bolívia e no Chile.
“Considerando a relevância da atuação de Paulo Freire e de seu legado para a educação brasileira, especialmente no que concerne à redução das desigualdades sociais por meio da alfabetização de adultos, não há dúvida de que o projeto é meritório”, concluiu Paulo Rocha.
Para o senador Paulo Paim (PT-RS), o educador é um homem do mundo. “Ele percorreu mais de 50 países, lecionando nos mais importantes centros universitários internacionais, e tendo aplicado seu método de alfabetização na Ásia, África e América Latina. Sua obra acabou, portanto, por assumir dimensões universais”, afirmou.
O senador classificou a aprovação como histórica. “Paulo Freire dedicou sua vida e sua obra à causa dos oprimidos, dos desvalidos, dos esfarrapados do mundo, sempre esperançando, sempre buscando superar a feiura da opressão e alcançar a boniteza da comunhão, da liberdade, da democracia, da cidadania.”
Já a senadora Zenaide Maia (Pros-RN) lembrou da atuação de Paulo Freire no município potiguar Angicos, onde implantou seu método para ensinar a ler em 40 horas. “O que ele fazia era mostrar para aquele povo que eles não eram pobres, mas estavam empobrecidos por falta de ação do estado, que não oferecia o instrumento, que era a educação, para eles saírem da extrema pobreza”, resumiu.

Vida e obra

Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 19 de setembro de 1921, em Recife, e faleceu em 2 de maio de 1997, em São Paulo. Foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, em 1980, e Secretário de Educação da cidade de São Paulo na gestão da prefeita Luiza Erundina, entre 1989 e 1991.
Freire é um dos brasileiros mais homenageados internacionalmente. Foi agraciado com o título de doutor Honoris Causa por 27 universidades desde 1973, de países com diferentes matizes ideológicas como Inglaterra, Bélgica, Estados Unidos, Suíça, Bolívia, Suécia, entre outros.
Em 1986 foi agraciado com o Prêmio Unesco da Educação para a Paz, e em 1992 com o Prêmio Andres Bello de Educador do Continente, da Organização dos Estados Americanos (OEA). Através da Lei nº 12.612/2012, sancionada por Dilma Rousseff, Paulo Freire foi declarado Patrono da Educação Brasileira.
Além de uma vasta obra materializada em diversos livros, como “Educação como prática da liberdade” (1967), “Pedagogia do Oprimido” (1968), “Pedagogia da Esperança” (1992) e “Pedagogia da autonomia” (1997), Paulo Freire deixou também um imenso legado como educador e como pensador.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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