SOBRE ABELHAS E ESPATÓDEAS

Sobre Abelhas e Espatódeas 

“Não sei se o mundo é bom
Mas ele ficou melhor
Quando você chegou
E perguntou:
Tem lugar pra mim?”

Esses versos da canção Espatódea são para a filha de Nando Reis, para quem ele compôs a letra, mas bem poderiam ser para a árvore que dá nome à música.

A Espatódea (Spathodea campanulata) é uma árvore exótica, originária da África, que tem feito muito sucesso no Brasil, sendo plantada em calçadas, quintais e sítios. Isso porque, além de linda, com majestosas flores vermelho-a laranjadas, a planta tem crescimento rápido – sendo uma ótima opção para paisagismo.

As nossas abelhas, porém, não podem dizer que o “mundo ficou melhor” com a chegada da Espatódea. É que o néctar das suas belas flores é tóxico para elas – e para outros insetos (https://goo.gl/vW4ne1). Inclusive, ela está na lista das 100 piores espécies invasoras do mundo, elaborada pelo Grupo de Especialistas em Espécies Invasoras da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN):

Ou seja, a intenção de quem planta a árvore pode ser a melhor possível (assim como a de Nando Reis ao homenageá-la), mas, sem querer, a Espatódea está prejudicando a nossa biodiversidade. Por essa razão, se você pretende plantar uma árvore na sua rua ou quintal, escolha uma espécie que seja nativa do Brasil. Assim você estará fazendo uma bela homenagem às abelhas e ao meio ambiente.

Fonte: A.B.E.L.H.A.  Foto de Capa: Bee News

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As abelhas nativas ou abelhas sem ferrão (ASF) já viviam no Brasil muito antes das espécies estrangeiras aportarem por aqui. Também conhecida como “melíponas”, elas povoam diversos biomas do território brasileiro com mais de 300 espécies. Elas se alimentam do pólen que tiram das flores e formam seus ninhos em buracos ocos de troncos das árvores.

Por Programa Nacional Abelhas Nativas/ Ecoa
As abelhas nativas são muito dependentes da preservação da mata em que estão e uma colônia pode até morrer se for retirada da árvore em que está instalada. Por isso, a vida de nossas abelhas está ameaçada pelo desmatamento. Uma das alternativas para a conservação das espécies nativas está na meliponicultura, que garante a criação racional de abelhas sem ferrão.
No Brasil, estados como o Maranhão, Rio Grande do Norte e Pernambuco, entre outros do Nordeste brasileiro, possuem polos bem sucedidos de meliponicultura. Entre as espécies de abelhas nativas exploradas encontramos a tiúba, a jandaíra e a uruçu. A jataí, marmelada, mirim-guaçu, mirim-preguiça, iraí e mandaguari também são comuns em meliponários.
Conheça outros tipos de abelhas nativas e suas especificidades:

ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Melipona scutellaris

Melipona scutellaris – Uruçu, urussu, urussu-boi, irussu, eiruçu, iruçu: são abelhas grandes, famosas por seu porte avantajado.
Essas abelhas nativas polinizam culturas de abacate, pimentão e pitanga e são encontradas na região Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe).
Na Bahia é uma espécie bastante explorada devido a facilidade de criação e a excelente produção de mel.
Embora seja uma espécie que esteja sendo amplamente distribuída para além de suas áreas limites por meio do tráfego ilegal, é reconhecida como ameaçada de extinção nas suas áreas de distribuição natural (Fragmentos de mata atlântica do Nordeste).

ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Melipona quadrifasciata – Foto: Marcos José Wolf

Melipona quadrifasciata – Mandaçaia, mandassaia, mandasái, manassaia, amanassaia: as subespécies se adaptam muito bem às regiões sul e sudeste do país, e têm grande incidência em toda a costa atlântica. É uma abelha robusta e que poliniza culturas de abóbora, pimentão, pimenta-malagueta e tomate;

ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Melipona fasciculata

Melipona fasciculata – Uruçu-cinzenta, tiúba, tiúba-grande, jandaíra-preta-da-Amazônia: São também excelentes produtoras de mel. Há registros de colônias dessas abelhas nativas que estocaram até 12 litros de mel. Encontrada no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil (Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Tocantins). São importantes na polinização do açaí, berinjela, tomate e urucum;

ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Melipona rufiventris

Melipona rufiventris – Uruçu-Amarela, tujuba, tujuva: é comum nos estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Piauí, São Paulo, Tocantins.
O mel dessas abelhas nativas é muito saboroso, por isso muito procurado. Dependendo do tamanho da colônia, e em uma área de boa florada, conseguem produzir até 10 kg de mel ao ano.
É uma espécies reconhecida como ameaçada de extinção porque suas áreas naturais de distribuição (cerradão) estão desaparecendo.

ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Nannotrigona testaceicornis (Foto: Cursos CPT)

Nannotrigona testaceicornis – Iraí: abelha indígena, pertencente a tribo dos Trigonini, encontrada principalmente em zonas tropicais (Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Santa Catarina, São Paulo). Também constrói ninhos em muros de concreto, blocos de cimento e tijolos. Essas abelhas nativas se adaptam bem à áreas urbanas;

ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Tetragonisca angustula                                                                                                                                                          
Tetragonisca angustula
– Maria-seca, virginitas, virgencitas, angelitas, abelhas-ouro, mariita, mariola, jataí, españolita, ingleses, mosquitinha-verdadeira, my-krwàt, jimerito, ramichi-amarilla, moça-branca, jatahy-amarello, trez-portas, jatihy, jatai-piqueno, jatay, jaty, jatahy, mosquito-amarelo: abelha indígena, pertencente a tribo dos Trigonini, amplamente distribuída na América tropical (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Venezuela, Guianas, Suriname, Honduras, Nicarágua, Guatemala, Panamá, Costa Rica, México).
Essas abelhas nativas se adaptam bem a ambientes urbanos. Talvez seja a espécie mais criada racionalmente pela facilidade de adaptação em caixas e porque requer pouco espaço. Seu mel é denso e muito apreciado. A sabedoria popular indica este mel para o tratamento de visão.
ABELHAS NATIVAS DO BRASIL: CONHEÇA SEIS DELAS!
Abelhas nativas
 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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