WLADIMIR TADEU: QUEM É VOCÊ?

WLADIMIR TADEU: QUEM É VOCÊ?

Wladimir Tadeu: Quem é você?

Que se Identifica Com a Grosseria…

Por: Wladimir Tadeu Baptista Soares

Quem é você

Que se identifica

Com a grosseria,

Com a brutalidade

E com as mentiras

Contadas por aí?

Quem é você

Que se deixa influenciar

Por discursos absurdos

De terra plana,

Nazismo de esquerda,

Ditadura sem corrupção,

AI-5 para o bem?

Quem é você

Que nega a história

Do seu país e do mundo,

Que apoia políticas de armar a população

Para garantir a sua segurança?

Quem é você

Que não enxerga os ataques covardes aos nossos direitos sociais

Mais fundamentais?

Quem é você

Que não se importa com os ataques aos servidores públicos desta Nação?

Quem é você

Que ignora a destruição

Do ambiente democrático

E as conexões do núcleo duro do poder com as milícias?

Quem é você

Que não vê o laranjal de corrupção exposto à sua frente?

Quem é você

Que defende tortura e torturador?

Quem é você

Que despreza a Declaração Universal Dos Direitos Humanos?

Quem é você que finge

Desconhecer a banalização do mal?

Quem é você

Que passou a odiar o diferente?

Quem é você

Que passou a defender

A privatização dos serviços públicos e das nossas riquezas naturais?

Quem é você

Que não liga mais

Para a perda da nossa soberania?

Quem é você

Que, em nome de um Deus, passou a defender A eliminação daqueles que pensam diferente de você,

Passou a levantar a bandeira da crueldade,

Passou a normalizar

A ignorância e a falta de afetos?

Quem é você

Que não pensa mais no outro

E que não sabe mais amar?

Quem é você

Que se deixou “idiotizar”

Por um bando de imbecis e canalhas “de carteirinha”?

Quem é você

Que abandonou o plano da razão e se transformou num fanático fundamentalista

Do cinismo, da hipocrisia e das fakenews?

Quem é você

Que quer rasgar a nossa Constituição Cidadã e submeter toda a Nação

Às leis e à ordem do mercado?

Quem é você

Quando se Olha no espelho?

Você é um fascista,

Um cretino egoísta,

Que perdeu o caráter

Para a podridão ética e moral dessa gente que nos governa.

Você está entregue,

Cegamente

À escrotidão do nosso tempo…

 

 
Wladimir Tadeu Baptista Soares
Cambuci/Niterói – RJ
Nordestino

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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