FOGO EM BRUMADINHO

Fogo em Brumadinho 

Em Brumadinho, Um incêndio consumiu parte da aldeia Arapowã Kakyá. onde moram 60 indígenas Xucuru-Kariri

Por Revista Focus Brasil 

Rio Paraopeba – Foto: Agência Brasil

As imagens de São Paulo ganham o noticiário, mas outros estados também enfrentam situações ameaçadoras pelos incêndios. O estado do Paraná, região sul do país, está próximo também de bater recorde de incêndios rurais.

Até o dia 22 de agosto deste ano, o Estado já havia registrado 9.339 ocorrências, segundo dados do Corpo de Bombeiros. Hoje o registro é de 9.560 ocorrências de incêndio florestal.

Em Minas Gerais, o fogo atinge áreas de conservação, afetam aulas e fazem o consumo de água disparar. O foco de atenção dos bombeiros em Minas Gerais começou quando o fogo atingiu o Parque Nacional da Serra do Cipó, na região Central do Estado.

Brumadinho – Foto: Pleno News

O tempo não colabora. Na capital Belo Horizonte já são 129 dias sem chuva, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia).

Os bombeiros também atuam no parque estadual Itacolomi, onde três aeronaves tentam combater o incêndio em área de mata densa, na Área de Proteção Ambiental (APA) Alto do Mucuri e na estação ecológica Mata dos Ausentes.

O Corpo de Bombeiros da região disse que a temperatura em nível acima da média e a redução da umidade relativa do ar, combinadas com a intensidade dos ventos, favorecem a propagação dos incêndios.

Em Brumadinho, Um incêndio consumiu parte da aldeia Arapowã Kakyá. onde moram 60 indígenas Xucuru Kariri. O fogo começou por volta das 17h desta segunda-feira (26) e se alastrou rapidamente, chegando perto de duas casas. “Se não fosse os bombeiros, ia pegar fogo”, contra o cacique Carlos Arapowãnã.

FOGO EM BRUMADINHO
Revista Focus Brasil

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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