Jane Austen completaria 250 anos; mas sua morte continua sendo um mistério
Célebre romancista inglesa e autora de ‘Orgulho e Preconceito’, Jane Austen nasceu há exatos 250 anos; mas, até hoje, a causa de sua morte é um verdadeiro mistério

Para os “Janeites”, como são conhecidos os entusiastas da escritora, este endereço representa um capítulo enigmático da vida de uma das mais influentes romancistas da literatura inglesa.

Saúde debilitada
Jane e sua irmã Cassandra viveram no primeiro andar do edifício por oito semanas enquanto a autora buscava tratamento para uma enfermidade que durava quase um ano. Apesar de algumas melhoras temporárias, Jane faleceu sem um diagnóstico claro conhecido até hoje. Especialistas analisam suas cartas e obras em busca de pistas sobre sua saúde e os sintomas que a afligiram.
Devoney Looser, professora de inglês na Universidade do Estado do Arizona, enfatiza a incerteza em torno da causa da morte de Austen: “Ainda não há uma resposta clara sobre o que causou a morte de Jane Austen aos 41 anos. Nossos diagnósticos especulativos são baseados nas breves descrições de seus sintomas encontradas nas cartas que sobreviveram”.
Com escassas evidências biológicas disponíveis, a correspondência da autora e suas obras têm sido recursos valiosos para pesquisadores que buscam entender seu estado de saúde nos momentos finais.
Um estudo publicado em 1964 sugeriu que Austen poderia ter sofrido da doença de Addison, uma condição rara que afeta as glândulas adrenais. Outras teorias apontaram para câncer de estômago, tuberculose ou linfoma de Hodgkin como possíveis causas.
A diversidade desses diagnósticos reflete a complexidade dos sintomas que Austen apresentou: fadiga, perda de peso e falta de apetite eram comuns entre eles, assim como febres intermitentes e sudorese noturna, conforme detalha Dacia Boyce, médica do Centro Médico Militar Carl R. Darnall no Texas.
Outras teorias
A hipótese da doença de Addison continua sendo a mais popular entre estudiosos, embora outras possibilidades tenham ganhado atenção nos últimos anos. Pesquisadores como Michael D. Sanders e Elizabeth Graham dedicaram-se a revisar as cartas de Austen e seus sintomas para elaborar uma linha do tempo abrangente sobre seu estado de saúde.
A análise revelou que a escritora enfrentava dores articulares persistentes e episódios frequentes de fadiga, febre e erupções cutâneas ao longo dos meses que precederam sua morte. No entanto, os autores concluem que os sintomas não correspondem diretamente às condições médicas frequentemente consideradas.
O estudo sugere a possibilidade de que Austen tivesse lúpus eritematoso sistêmico (LES), uma doença autoimune caracterizada por problemas articulares e episódios variáveis de sintomas exacerbados. Embora não existam registros médicos diretos sobre Austen, muitos acreditam que tais documentos foram mantidos na época e ainda aguardam investigação.
A questão sobre o diagnóstico correto permanece sem resposta definitiva. Os pesquisadores levantaram preocupações sobre a possibilidade de realizar testes em amostras de cabelo atribuídas à autora, mas decidiram não prosseguir devido à ineficácia esperada das análises sem folículos capilares intactos.

Mistério eterno?
Embora as investigações continuem a revelar novos aspectos da vida e obra de Austen, especialistas concordam que a verdadeira causa da morte provavelmente permanecerá um mistério. Richard Foster, bibliotecário do Winchester College, resume o sentimento compartilhado entre os estudiosos: “Claramente não temos informações suficientes para uma decisão final“.
Por meio dessas investigações sobre sua saúde e suas obras, Jane Austen continua a ser uma figura ressonante na literatura e na vida contemporânea, e mesmo após mais de dois séculos, segue instigando discussões sobre as complexidades humanas diante da dor e do sofrimento.





