JANE AUSTEN, 250 ANOS

Jane Austen completaria 250 anos; mas sua morte continua sendo um mistério

Célebre romancista inglesa e autora de ‘Orgulho e Preconceito’, Jane Austen nasceu há exatos 250 anos; mas, até hoje, a causa de sua morte é um verdadeiro mistério

 
Nascida no dia 16 de dezembro de 1775 em Steventon, no Reino Unido, Jane Austen certamente é uma das romancistas mais influentes que já existiu, não se limitando apenas a seu país. Autora de ‘Orgulho e Preconceito‘, entre outras obras, sua importância é tão grande, que mesmo hoje ela estampa a nota de 10 libras esterlinas do Reino Unido.
 
 

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Retrato colorido de Jane Austen / Crédito: Getty Images

 

Para os “Janeites”, como são conhecidos os entusiastas da escritora, este endereço representa um capítulo enigmático da vida de uma das mais influentes romancistas da literatura inglesa.

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Manuscritos de Jane Austen / Crédito: Getty Images

Saúde debilitada

Jane e sua irmã Cassandra viveram no primeiro andar do edifício por oito semanas enquanto a autora buscava tratamento para uma enfermidade que durava quase um ano. Apesar de algumas melhoras temporárias, Jane faleceu sem um diagnóstico claro conhecido até hoje. Especialistas analisam suas cartas e obras em busca de pistas sobre sua saúde e os sintomas que a afligiram.

Devoney Looser, professora de inglês na Universidade do Estado do Arizona, enfatiza a incerteza em torno da causa da morte de Austen: “Ainda não há uma resposta clara sobre o que causou a morte de Jane Austen aos 41 anos. Nossos diagnósticos especulativos são baseados nas breves descrições de seus sintomas encontradas nas cartas que sobreviveram”.

Com escassas evidências biológicas disponíveis, a correspondência da autora e suas obras têm sido recursos valiosos para pesquisadores que buscam entender seu estado de saúde nos momentos finais.

Um estudo publicado em 1964 sugeriu que Austen poderia ter sofrido da doença de Addison, uma condição rara que afeta as glândulas adrenais. Outras teorias apontaram para câncer de estômago, tuberculose ou linfoma de Hodgkin como possíveis causas.

A diversidade desses diagnósticos reflete a complexidade dos sintomas que Austen apresentou: fadiga, perda de peso e falta de apetite eram comuns entre eles, assim como febres intermitentes e sudorese noturna, conforme detalha Dacia Boyce, médica do Centro Médico Militar Carl R. Darnall no Texas.

Outras teorias

A hipótese da doença de Addison continua sendo a mais popular entre estudiosos, embora outras possibilidades tenham ganhado atenção nos últimos anos. Pesquisadores como Michael D. Sanders e Elizabeth Graham dedicaram-se a revisar as cartas de Austen e seus sintomas para elaborar uma linha do tempo abrangente sobre seu estado de saúde.

A análise revelou que a escritora enfrentava dores articulares persistentes e episódios frequentes de fadiga, febre e erupções cutâneas ao longo dos meses que precederam sua morte. No entanto, os autores concluem que os sintomas não correspondem diretamente às condições médicas frequentemente consideradas.

O estudo sugere a possibilidade de que Austen tivesse lúpus eritematoso sistêmico (LES), uma doença autoimune caracterizada por problemas articulares e episódios variáveis de sintomas exacerbados. Embora não existam registros médicos diretos sobre Austen, muitos acreditam que tais documentos foram mantidos na época e ainda aguardam investigação.

A questão sobre o diagnóstico correto permanece sem resposta definitiva. Os pesquisadores levantaram preocupações sobre a possibilidade de realizar testes em amostras de cabelo atribuídas à autora, mas decidiram não prosseguir devido à ineficácia esperada das análises sem folículos capilares intactos.

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Antigo retrato emoldurado de Jane Austen / Crédito: Getty Images

Mistério eterno?

Embora as investigações continuem a revelar novos aspectos da vida e obra de Austen, especialistas concordam que a verdadeira causa da morte provavelmente permanecerá um mistério. Richard Foster, bibliotecário do Winchester College, resume o sentimento compartilhado entre os estudiosos: “Claramente não temos informações suficientes para uma decisão final“.

Por meio dessas investigações sobre sua saúde e suas obras, Jane Austen continua a ser uma figura ressonante na literatura e na vida contemporânea, e mesmo após mais de dois séculos, segue instigando discussões sobre as complexidades humanas diante da dor e do sofrimento.

Éric Moreira
Éric Moreira é jornalista, formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Passa a maior parte do tempo vendo filmes e séries, interessado em jornalismo cultural e grande amante de Arte e História.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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