BORBOLETAS DA AMAZÔNIA ESTÃO PERDENDO A COR
Borboletas são sinônimo de beleza, leveza e cor. Mas na Amazônia, esse espetáculo natural está mudando: algumas espécies já não exibem as mesmas tonalidades de antes. O desaparecimento das cores pode revelar muito mais do que parece
Por Thaís Silveira
Além de sua beleza e do simbolismo que carregam em muitas culturas, as borboletas desempenham um papel fundamental como bioindicadores. A presença ou ausência desses organismos pode revelar a qualidade ambiental de um ecossistema, refletindo alterações na vegetação, no clima e nos níveis de poluição.
Na Amazônia, um fenômeno curioso vem chamando a atenção de pesquisadores: a degradação dos habitats está influenciando diretamente a coloração das borboletas, e elas estão perdendo a cor.

É o que revela estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Centro para a Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, no Reino Unido, realizado em áreas de florestas pertencentes ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A pesquisa se concentrou em ambientes preservados por mata original e em áreas degradadas.
Os pesquisadores observaram diferenças nos padrões de cores nas asas das borboletas em áreas degradadas e em áreas preservadas. Os ambientes preservados, que mantinham suas características originais, com mais diversidade de cores vibrantes, tinham borboletas que acompanhavam esse padrão. Já em habitats degradados, com cores mais acinzentadas pelas queimadas e pela perda da biodiversidade, havia borboletas que seguiam o mesmo padrão de cores.

Esse fenômeno se chama seleção natural, descrita por Darwin, e ocorre porque essas borboletas de tons acinzentados, semelhantes ao meio em que vivem, conseguem se camuflar dos predadores e, por isso, sobrevivem, passando essas características genéticas aos seus descendentes que, consequentemente, manterão o mesmo padrão.
As mudanças na coloração das borboletas mostram que os impactos ambientais não são abstratos: eles são visíveis, concretos e estão acontecendo agora. Desmatamento, queimadas e degradação dos habitats deixam marcas não só na paisagem, mas também nos seres que dela dependem. Proteger a Amazônia é, portanto, proteger a diversidade de formas, cores e vidas que fazem dela um dos maiores patrimônios naturais do planeta.

Thaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Capa: Cithaeria andromeda (Foto – Cristiano Agra Iserhard).










