BORBOLETAS DA AMAZÔNIA ESTÃO PERDENDO A COR

BORBOLETAS DA AMAZÔNIA ESTÃO PERDENDO A COR

BORBOLETAS DA AMAZÔNIA ESTÃO PERDENDO A COR

Borboletas são sinônimo de beleza, leveza e cor. Mas na Amazônia, esse espetáculo natural está mudando: algumas espécies já não exibem as mesmas tonalidades de antes. O desaparecimento das cores pode revelar muito mais do que parece

Por Thaís Silveira

Além de sua beleza e do simbolismo que carregam em muitas culturas, as borboletas desempenham um papel fundamental como bioindicadores. A presença ou ausência desses organismos pode revelar a qualidade ambiental de um ecossistema, refletindo alterações na vegetação, no clima e nos níveis de poluição.

Na Amazônia, um fenômeno curioso vem chamando a atenção de pesquisadores: a degradação dos habitats está influenciando diretamente a coloração das borboletas, e elas estão perdendo a cor.

Foto 5. Borboleta do genero Morpho Foto Cristiano Agra Iserhard 400x300 1
Borboleta do gênero Morpho (Foto – Cristiano Agra Iserhard)

É o que revela estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e do Centro para a Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, no Reino Unido, realizado em áreas de florestas pertencentes ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A pesquisa se concentrou em ambientes preservados por mata original e em áreas degradadas.

Os pesquisadores observaram diferenças nos padrões de cores nas asas das borboletas em áreas degradadas e em áreas preservadas. Os ambientes preservados, que mantinham suas características originais, com mais diversidade de cores vibrantes, tinham borboletas que acompanhavam esse padrão. Já em habitats degradados, com cores mais acinzentadas pelas queimadas e pela perda da biodiversidade, havia borboletas que seguiam o mesmo padrão de cores.

Foto 9. Prepona narcissus vista ventral macho Foto Ricardo Luis Spaniol 400x267 1
Prepona narcissus (vista ventral, macho) (Foto – Ricardo Luís Spaniol)

Esse fenômeno se chama seleção natural, descrita por Darwin, e ocorre porque essas borboletas de tons acinzentados, semelhantes ao meio em que vivem, conseguem se camuflar dos predadores e, por isso, sobrevivem, passando essas características genéticas aos seus descendentes que, consequentemente, manterão o mesmo padrão.

As mudanças na coloração das borboletas mostram que os impactos ambientais não são abstratos: eles são visíveis, concretos e estão acontecendo agora. Desmatamento, queimadas e degradação dos habitats deixam marcas não só na paisagem, mas também nos seres que dela dependem. Proteger a Amazônia é, portanto, proteger a diversidade de formas, cores e vidas que fazem dela um dos maiores patrimônios naturais do planeta.

Foto 2. Historis acheronta Foto Cristiano Agra Iserhard 1536x1152 1
Historis acheronta (Foto – Cristiano Agra Iserhard)

 Thaís SilveiraThaís Silveira – Bióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Capa: Cithaeria andromeda (Foto – Cristiano Agra Iserhard).

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

CONTATO

logo xapuri

REVISTA

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.