”QUANDO UMA MULHER PERDE UM FILHO, TODAS CHORAM”

‘Quando uma mulher perde um filho, todas choram” –  Manifesto das Mulheres do PT-Goiás contra a culpabilização das mulheres e a violência machista 
 
Diante da tragédia que vitimou duas crianças e destruiu uma família, nos posicionamos com firmeza contra a onda de comentários cruéis, misóginos e desumanos que tentam responsabilizar uma mulher pela violência cometida por seu ex-companheiro.
 
É inaceitável que, em pleno século XXI, ainda se tente justificar um crime brutal com base na vida pessoal, nas escolhas afetivas ou na autonomia de uma mulher.
 
Nenhuma relação dá direito à posse.
 
Nenhum conflito justifica a violência.
 
Nenhuma suposta traição legitima o assassinato.
 
A tentativa de culpar a mãe é mais uma expressão da cultura machista que transforma mulheres em alvos, retira dos homens a responsabilidade por seus atos e naturaliza a barbárie. É o reflexo de uma sociedade que prefere julgar vítimas a enfrentar a raiz da violência.
 
Reafirmamos:
 
A mulher não é culpada.
 
O agressor é o único responsável.
 
A violência é crime.
 
O machismo mata.
 
Nos solidarizamos com essa mãe, que carrega uma dor irreparável, e com todas as mulheres que diariamente enfrentam o julgamento, o ódio e a desumanização nas redes e na vida.
 
Nos levantamos em defesa da vida, da dignidade e da liberdade das mulheres. Lutamos por uma sociedade onde nenhuma mulher seja punida por existir, amar ou decidir sobre sua própria história.
 
Não aceitaremos o silêncio.
 
Não aceitaremos a culpabilização.
 
Não aceitaremos a violência.
 
Seguiremos em luta por justiça, respeito e igualdade.
 
Pela vida das mulheres.
 
Pela memória das crianças.
 
Por uma sociedade sem ódio e machismo!
 
Cinthia Lima
Secretaria Estadual de Mulheres
PT GO
 
mulher perde filho todas choram
 
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MÃE SE PRONUNCIA EM CARTA ABERTA
Fonte: Folha de São Paulo

A empresária Sarah Tinoco Júnior, viúva do secretário de Governo da Prefeitura de Itumbiara (GO), Thales Naves Alves Machado, que atirou contra seus dois filhos, de 12 e 8 anos, dentro da residência da família e em seguida tirou a própria vida, publicou uma carta aberta em seu primeiro pronunciamento público após a tragédia que chocou a cidade.

No texto, Sarah relata o impacto devastador da perda. “Hoje me dirijo a todos com a alma despedaçada por uma dor que palavras não conseguem traduzir. Perdi meus filhos, perdi minha família e uma parte de mim se foi para sempre”, escreveu, no que foi seu primeiro pronunciamento desde a tragédia.

Ela descreve uma dor profunda e admite que houve “falhas no casamento”, mas ressalta que nada pode justificar a violência que tirou a vida das crianças. “Absolutamente nada, pode justificar a tragédia que nos atingiu. Meus filhos eram inocentes. Eram cheios de vida, de sonhos, de carinho. Não mereciam esse destino. Eles eram a luz dos meus dias e, sem eles, tudo se tornou sombra, saudade e arrependimento”, completou.

A carta ganhou enorme repercussão nas redes sociais, gerando apoio, orações e manifestações de solidariedade em todo o país. Em sua mensagem, Sarah pede perdão principalmente aos filhos e afirma que eles eram “inocentes, cheios de vida, sonhos e amor”. “Estou atravessando a maior dor que uma mãe pode suportar. Rogo a Deus que tenha misericórdia de nós e receba meus filhos com amor. Que encontrem descanso e paz”, finalizou.

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O menino mais velho, de 12 anos, foi socorrido e levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e teve a morte confirmada. O caçula, de 8 anos, estava em estado gravíssimo na UTI após ser baleado e morreu nesta sexta‑feira (13), segundo confirmação da prefeitura de Itumbiara.

A tragédia chocou Itumbiara e provocou repercussão sobre questões de violência familiar O caso segue sob investigação pela Polícia Civil de Goiás.

MULHER PQP

sarah tinoco
Screenshot

A CULPA NÃO É SUA, SARAH!

TODA NOSSA SOLIDARIEDADE, SARAH!

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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