COMADRE FULOZINHA: FAMOSA LENDA DO NORDESTE

COMADRE FULOZINHA: FAMOSA LENDA DO NORDESTE

Uma das criaturas mais curiosas do folclore brasileiro também é uma das menos conhecidas pelo público. Diferente de Saci-Pererê, Mula-sem-cabeça, Curupira ou Boto-cor-de-rosa, a Comadre Fulozinha é mais popular no nordeste do Brasil e atua como uma guardiã das florestas

Por Alana Sousa/Aventuras na História 

Fulozinha habita na Zona da Mata de Pernambuco, mas, por vezes, pode ser vista em regiões próximas. Destemida protetora dos animais e da natureza, a entidade se assemelha com o Caipora, porém demonstra sua fúria quando confundida com a outra assombração das matas.

comadre fulozinha
Imagem meramente ilustrativa – Divulgação/O Recife Assombrado

A versão mais conhecida da Comadre a descreve como sendo uma criança com longos cabelos pretos e uma tendência a travessuras (algumas versões a reproduzem como uma mulher). Seus truques incluem trançar as crinas de cavalos, abrir porteiras de fazendas e desorientar caçadores com seu assobio potente.

O assobio, inclusive, é um de seus maiores poderes. Enfático, ele é uma das características mais complexas da Fulozinha. Quem estiver perdido na mata e, por acaso, ouvir o som da protetora deve ficar atento. Se o barulho está perto, significa que ela está longe; se estiver longe, a guardiã estará mais próxima do que se imagina.

Entretanto, quem entra na floresta com a intenção de machucar os animais sente a fúria da guardiã. Usando cipós como chicote, ela inflige dor para ensinar uma lição aos que desrespeitam seu lar.

Quem quiser agradar a criatura deverá dar-lhe presentes. Deixar um pote de mingau na entrada da mata é a principal atitude para fazê-la se afeiçoar à pessoa. Outros itens incluem mel, confeitos e fumo – o que é usado para fazer com que ela desfaça os nós nas crinas dos animais.

Fonte: Aventuras na História

Capa: Ilustração da Comadre Fulozinha / Crédito: Divulgação/Murilo Silva.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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