ARIRANHAS: ENTRE RIOS E AMEAÇAS

ARIRANHAS: ENTRE RIOS E AMEAÇAS

ARIRANHAS: ENTRE RIOS E AMEAÇAS

A ariranha (Pteronura brasiliensis) faz parte do grupo das lontras, que atualmente compreende 14 espécies. É a maior espécie de lontra existente, podendo atingir cerca de 1,5 a 2 metros de comprimento. A espécie é nativa da América do Sul, com ocorrência registrada em diferentes biomas, como a Amazônia, o Pantanal, o Cerrado e a Mata Atlântica.

Por Thaís Silveira

São animais territorialistas, que vivem em grupos e se alimentam principalmente de peixes, mas também podem consumir crustáceos, pequenos mamíferos, serpentes e outros animais. Na defesa de seu território, o grupo permanece unido e pode enfrentar grandes predadores, como a onça-pintada. Por meio de vocalizações e comportamentos agressivos, as ariranhas podem intimidar e afastar a onça, mostrando como a união do grupo é importante para sua defesa.

As ariranhas desempenham um papel importante no equilíbrio dos ecossistemas aquáticos. Por se alimentarem principalmente de peixes, contribuem para o controle das populações de suas presas e ajudam a manter o equilíbrio das comunidades aquáticas. Além disso, são consideradas espécies indicadoras, pois sua presença está relacionada à conservação e à qualidade dos ambientes onde vivem.

A ariranha também é uma espécie-bandeira, ou seja, um animal capaz de despertar o interesse e a atenção da população para a conservação da natureza. Sua imagem pode contribuir para mobilizar pessoas, recursos e projetos voltados à proteção da espécie e dos ambientes aquáticos dos quais ela depende.

Atualmente, a ariranha é classificada como vulnerável (VU) na Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio/MMA. Entre as principais ameaças à espécie estão o desmatamento e a perda das matas ciliares, que desempenham um papel fundamental na proteção dos rios, além da contaminação dos ambientes aquáticos por mercúrio associado ao garimpo ilegal e por resíduos industriais.

Outro fator importante foi a intensa caça sofrida pela espécie ao longo do século XX, principalmente pela valorização de sua pele. Somada à contínua perda e degradação de seu habitat, essa pressão dificultou a recuperação das populações de ariranhas, tornando a conservação de seus ambientes naturais fundamental para garantir a sobrevivência da espécie.

 

Thaís Silveira sorri para a câmera em uma selfie. A bióloga tem cabelos longos em tranças, veste blusa branca de crochê sem mangas e está diante de uma parede clara e do batente de uma porta.Thaís SilveiraBióloga (Universidade Estadual de Santa Cruz), pós-graduanda em gestão para sustentabilidade pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Capa: Rio Cuiabá, Porto Jofre, Transpantaneira, Poconé-MT. Foto: Bernard Dupont da França/Wikimedia Commons

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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