“EU, TITUBA, BRUXA NEGRA DE SALÉM”

“EU, TITUBA, BRUXA NEGRA DE SALÉM”

“EU, TITUBA, BRUXA NEGRA DE SALÉM”

Mulher negra, escravizada, feiticeira, Tituba. Você conhece sua história? Tituba foi uma das primeiras pessoas acusadas de bruxaria em Salém. Porém, sua vida e história foram quase que completamente esquecidas.

Por Lorrane Fortunato

O livro escrito por Maryse Condé recria a história de Tituba, trazendo os poucos fatos verdadeiros de que se tem conhecimento, junto à vida que seus dedos decidiram recriar para a personagem histórica.

Assim, Maryse Condé dá voz a Tituba, para que esta fale sobre sua condição de mulher, de negra, de escravizada. Permite que Tituba nos conte seus medos, seus anseios e seus desejos mais secretos.

“Bendito seja o amor que derrama sobre o homem o esquecimento. Que o faz esquecer sua condição de escravo. Que faz recuar a angústia e o medo!”

A escrita de Maryse Condé é poderosa. Você sente a força da sua voz emanando das palavras. Voz essa que ela cedeu a Tituba, para que ela contasse sua história. Com uma escrita crua, potente e veraz, a autora faz com que a ideia de parar a leitura desse livro seja inconcebível.

“Eu, Tituba: bruxa negra de Salém”, de Maryse Condé, traz luz a uma personagem histórica esquecida e silenciada. Esse livro é uma homenagem a quem foi Tituba e é uma linda forma de preservar sua memória.

“Os mortos só morrem se morrerem também em nosso coração.”

44.1

images 3 1Lorrane Fortunato – Criadora do @afroliteraria. Escritora. Revisora. Autora de Trançando o amor. Matéria originalmente publicada em: https://afroliteraria.com.br/eu-tituba-bruxa-negra-de-salem-traz-luz-a-uma-personagem-historica-esquecida-e-silenciada/

Capa: Foto: Sophie Bassouls

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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