AFINAL, O QUE É LANGUISHING

AFINAL, O QUE É LANGUISHING

AFINAL, O QUE É LANGUISHING

Um certo dia, a pandemia provocada pelo Coronavírus começou e, de repente, ficamos em um estado de “suspensão” que vem se prolongando demasiadamente, sem previsão de final.

POR OLGA TESSARI

A dificuldade de planejar o futuro, a necessidade de ter que se adaptar o tempo todo são muito exaustivas, levando muita gente a permanecer num estado de alerta contínuo, o que causa a exaustão do organismo e a sensação de definhamento.

Estamos falando de languishing, um termo cunhado pelo sociólogo Corey Keyes e que, na língua portuguesa, pode ser traduzido por um estado emocional que, em sua essência, se define pelo vazio e pela apatia.

É como se a pessoa se sentisse anestesiada, estagnada emocionalmente, perdida e sem ação. Sempre que falamos em saúde mental, pensamos nos seus dois polos opostos. De um lado, o pico do bem-estar, aquela sensação de estar bem, feliz, satisfeito, com um forte senso de significado e completo com a própria vida.

E, no outro extremo, o mal-estar, a infelicidade, a tristeza angustiante e a ansiedade de forma contínua, trazendo a sensação de esgotamento e de se sentir sem valor, o que pode levar à depressão.

O languishing estaria praticamente no meio desses dois polos, mas não seria neutro, nem tampouco positivo ou negativo. Seria algo como um “limbo emocional”, que não é falta de esperança, mas sentir-se sem alegria, sem objetivos, estagnado, sem propósito ou foco, entorpecido, um “apagamento”, é como se a pessoa fosse definhando dia a dia cada vez mais.

Não é uma doença

Embora esse seja um estado emocional (não é uma doença) que pode surgir a qualquer momento na vida de uma pessoa, houve um aumento drástico no número de casos de languishing no período da pandemia (Brasil, 7º lugar no mundo).

A pandemia colaborou para que muitas pessoas encontrassem seu propósito de vida. Por outro lado, há uma quantidade enorme de pessoas que se sentem sem rumo, que não estão satisfeitas com a vida, que não conseguem se realizar e sofrem com isso.

O languishing, por sua vez, é marcado pela apatia e desânimo por longos períodos em que a pessoa continua cumprindo as suas tarefas, mas o faz de forma mecânica e automatizada. Vale dizer que esse comportamento apático também pode ser um sintoma depressivo, mas no caso do languishing, não há a ocorrência de pensamentos negativos ou a desesperança, sintomas típicos da depressão.

Como evitar o languishing?

É fundamental ter a consciência de que estamos vivendo novos tempos e que essa mudança pode ser positiva! Acreditar em dias melhores é o caminho, não perdendo a esperança, mesmo que seja algo difícil.

Para isso, é necessário cuidar do corpo, com uma alimentação saudável, tendo boas noites de sono, mantendo o corpo ativo, praticando alguma atividade física aeróbica prazerosa como caminhar, pedalar, dançar, correr, nadar etc.

Somos seres sociais, precisamos interagir com outras pessoas! Por isso, é importante aumentar a interação social, nem que seja de forma virtual, com gente “alto astral” para redescobrir a alegria, o ânimo e a diversão. Sorrir é fundamental para a nossa saúde física e emocional. E o convívio com essas pessoas é extremamente benéfico para a manutenção da saúde emocional.

 

Olga Tessari – Psicóloga (CRP06/19571), formada pela Universidade de São Paulo (USP). Matéria editada por limitação de espaço. Confira o texto completo, disponível no site Avosidade: www.avosidade.com.br/comportamento/afinal-o-que-e-o-languishing/.

Capa: Pawel Czerwinski/Unsplash

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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