TUÍRE KAYAPÓ: SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA INDÍGENA

TUÍRE KAYAPÓ: SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA INDÍGENA

TUÍRE KAYAPÓ: SÍMBOLO DA RESISTÊNCIA INDÍGENA

Por Ana Paula Sabino

As florestas, os rios, os povos indígenas: é a sobrevivência deles que eu defendo”

Tuíre Kayapó

Tuíre Kayapó dedicou sua vida à proteção dos territórios, das florestas e dos rios, e com seu facão em punho, abriu caminhos e defendeu sua terra, tornando-se uma das maiores referências da resistência indígena no Brasil.

Nascida em Kokrajmôrô, no coração da Terra Indígena Kayapó, no Pará, herdou de seus avós, caciques tanto do lado materno quanto do paterno, os ensinamentos sobre a defesa do território, da floresta e do modo de vida de seu povo.

Sua imagem conquistou o mundo em 1989, durante o I Encontro dos Povos Indígenas do Xingu, realizado em Altamira, no Pará. Aos 19 anos, Tuíre aproximou um facão do rosto de José Antonio Muniz Lopes, então presidente da Eletronorte, em protesto contra a construção da Usina Hidrelétrica de Kararaô, projeto que mais tarde ficou conhecido como “Belo Monte”.

Registrada pelo fotógrafo Protásio Nenê, a cena percorreu jornais do Brasil e do exterior e se transformou em um dos símbolos mais marcantes da luta indígena contemporânea. A repercussão contribuiu para ampliar o debate público e fortalecer a mobilização contra a hidrelétrica, cuja construção foi adiada por mais de duas décadas.

Em uma época em que os homens ocupavam predominantemente os espaços de liderança do movimento indígena, ela esteve entre as primeiras mulheres Kayapó a participar diretamente de marchas, reuniões e articulações políticas em Brasília.

Além disso, também dedicou-se ao fortalecimento da participação das mulheres Kayapó em tratativas políticas e mobilizações, incentivando que novas lideranças ocupassem cada vez mais espaços.

No dia 10 de agosto de 2026, completam-se dois anos desde que Tuíre Kayapó ancestralizou. A liderança partiu aos 57 anos, após dedicar décadas à defesa dos povos indígenas. Seu legado de coragem, luta e resistência permanece vivo e segue presente nas novas gerações.

FM42733

Foto: TV Liberal/ Reprodução

ana paula sabinoAna Paula Sabino – Jornalista, indigenista e conselheira da Revista Xapuri.

Capa: (Foto: Protássio Nêne)

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

CONTATO

A CURA DA TERRA

REVISTA

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.