MULHERES DISPUTAM O SENADO EM TODOS OS ESTADOS PELA PRIMEIRA VEZ DESDE 2014

MULHERES DISPUTAM O SENADO EM TODOS OS ESTADOS

MULHERES DISPUTAM O SENADO EM TODOS OS ESTADOS PELA PRIMEIRA VEZ DESDE 2014

Revista Focus

Eleições de 2026 têm 69 candidaturas femininas ao Senado, número superior ao registrado em 2018 e 2022; mulheres, porém, representam apenas 22% do total

          Pela primeira vez na série histórica considerada desde 2014, todos os 26 estados e o Distrito Federal têm ao menos uma mulher candidata ao Senado. Os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consolidados pela Agência Senado em 18 de agosto, registram 69 candidaturas femininas ao cargo nas eleições de 2026.

O número representa um crescimento de 19% em comparação com 2022, quando 58 mulheres concorreram ao Senado, e de 11,3% diante de 2018, quando foram registradas 62 candidatas. A eleição deste ano renovará dois terços da Casa: 54 das 81 cadeiras estão em disputa, com a escolha de dois representantes por estado e pelo Distrito Federal.

Apesar do avanço em números absolutos, a participação feminina permanece minoritária. As mulheres correspondem a 22% das candidaturas ao Senado, diante de 78% de homens. Em 2022, elas representaram 23,9% dos registros. Em 2018, último pleito em que também foram renovados dois terços da Casa, o percentual foi de 17,6%.

CANDIDATURAS CHEGAM AOS 26 ESTADOS E AO DISTRITO FEDERAL 

Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo concentram o maior número de candidatas, com cinco mulheres na disputa em cada estado. Acre, Alagoas, Amazonas, Bahia, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Sergipe e Tocantins apresentam apenas uma candidatura feminina.

Em Rondônia, as quatro mulheres inscritas correspondem a 40% dos dez concorrentes ao Senado, a maior participação proporcional entre as unidades da Federação. Mesmo assim, em todos os estados e no Distrito Federal o número de candidatos homens continua superior ao de mulheres.

A presença de candidatas em todo o território nacional diferencia a eleição de 2026 dos pleitos anteriores. Em 2018, por exemplo, Acre, Bahia e Tocantins não apresentaram nenhuma mulher na disputa pelo Senado.

MULHERES SÃO MAIORIA DO ELEITORADO, MAS SÓ OCUPAM 15 CADEIRAS 

As mulheres representam quase 53% do eleitorado brasileiro. Segundo o TSE, eram 82,5 milhões entre os 156,1 milhões de eleitores aptos a votar em janeiro de 2026. No Senado, porém, ocupavam 15 das 81 cadeiras na data do levantamento, o equivalente a 18,5% da composição da Casa.

A diferença também aparece na proporção de candidaturas. A exigência de que cada partido ou federação preencha ao menos 30% das vagas com pessoas de cada gênero vale para as eleições proporcionais, destinadas à escolha de deputados federais, estaduais e distritais. A regra não se aplica ao Senado, porque a disputa é majoritária.

As campanhas femininas estão incluídas, no entanto, nas regras de distribuição dos recursos eleitorais e do tempo de propaganda. Os partidos devem destinar às mulheres ao menos 30% dos recursos de campanha e da participação no rádio e na televisão. Quando o percentual de candidatas supera esse patamar, a distribuição deve acompanhar a proporção registrada.

Entre as senadoras eleitas em 2018 que concorrem à reeleição estão Leila Barros (PDT-DF), Eliziane Gama (PSD-MA), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Zenaide Maia (PSD-RN). Margareth Buzetti (PP-MT), que assumiu o mandato como suplente durante a atual legislatura, também disputa uma vaga como titular.

Também tentam retornar ao Senado Rose de Freitas (MDB-ES), Roseana Sarney (MDB-MA), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Benedita da Silva (PT-RJ), Marina Silva (Rede-SP) e Simone Tebet (PSB-SP).

Os números consideram os registros disponíveis no TSE no fechamento do levantamento e ainda podem sofrer alterações durante o julgamento das candidaturas.

Plenario do Congresso 19900097423 1
Plenário do Congresso Nacional durante sessão solene para homenagear a 5ª Marcha das Margaridas.
Em discurso, deputada Federal Erika Kokay (PT-DF)
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Fonte: Revista Focus Brasil. Matéria disponível na íntegra em:<https://fpabramo.org.br/mulheres-disputam-o-senado-em-todos-os-estados-pela-primeira-vez-desde-2014/>

Capa: WikiMedala

GOSTOU DESTA MATÉRIA? ENTÃO, POR FAVOR, PASSA PRA FRENTE. COMPARTILHE EM TODAS AS SUAS REDES. NÃO CUSTA NADA, É SÓ CLICAR!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

© 2025 Revista Xapuri — Jornalismo Independente, Popular e de Resistência.