A CULTURA DOS POVOS ANCESTRAIS SÃO ARTÉRIAS DO PLANETA
Por Ailton Krenak
“Penso que o tempo é como que um amigo
que caminha junto comigo.
Por isso, ele não me persegue.”
Mesmo estando com pessoas de outra língua, podemos aproximar nosso coração por meio da música, de fotos e de desenhos. E isso vai se transformando em palavras.
Quando a pessoa que recebe a mensagem possui uma margem de aceitação no seu coração, poderá sentir a mensagem profunda de uma palavra. É preciso carregar a mensagem do humanismo.
As palavras podem deixar as pessoas felizes e totalmente tristes. Podem até provocar guerras. Quando não consigo dialogar com uma pessoa usando a cabeça para me comunicar, fico envergonhado a tal ponto de querer me esconder debaixo da terra.
As palavras não existem para ferir as pessoas, elas devem ser usadas para criar.
Certa vez, um jovem saiu para peregrinar em busca de um caminho para a sua vida. No meio do caminho, encontrou um fantasma que lhe perguntou: “Você está falando à toa, ou fala entendendo o verdadeiro sentido das palavras?”
O jovem respondeu: “Estou falando à toa”. O jovem então se virou para ver o fantasma e, surpreso, viu ali uma pessoa de verdade. O fantasma era apenas a sua imagem no espelho.
Quando utilizava palavras superficiais, o espelho era de um fantasma. Mas a força da palavra do fantasma lhe fez perceber o sentido profundo das palavras e, a partir daí, viu sua imagem verdadeira.
As pessoas nascem com uma luz de sabedoria, que pode aumentar e fortalecer seu brilho. Precisam deixar de mentir para si mesmas, ir acumulando experiências, procurando encontrar o seu próprio caminho.
Ailton Krenak – Escritor. Conselheiro da Revista Xapuri, em “Um Rio, Um Pássaro”, editora Dantes, 2023.
Capa: Créditos: Divulgação.










