Ecofalante: 121 filmes de 31 países e homenagem Chico Mendes

Ecofalante: 121 filmes de 31 países e homenagem Chico Mendes –

Por Mônica Nunes/Conexão Planeta

Este ano, o festival de cinema com temática socioambiental mais importante da América do Sul celebra a Semana e o Dia do Meio Ambiente (5/6) ocupando 32 salas de cinema e 50 espaços culturais e educacionais, que exibirão 121 filmes de 31 países durante 14 dias – de 31 de maio a 13 de junho -, gratuitamente. A programação completa está disponível no site, mas já destaco, aqui, detalhes interessantes e algumas da principais atrações.

O cineasta alemão Werner Herzog ganha retrospectiva histórica na 17a. Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental, com 18 produções. Esta é a maior retrospectiva do cineasta já feita no mundo, e traz algumas de suas mais impactantes obras, revelando o conflito entre a natureza e o homem.

Serão exibidos Hércules (1962) e Fata Morgana (1971), além de produções mais recentes como O Homem-UrsoEncontros no Fim do Mundo e o maravilhoso A Caverna dos

homenagem especial desta edição vai para o seringueiro ativista e ambientalista Chico Mendes (foto de destaque deste post), assassinado há 30 anos, que será realizada em 5 de junho, às 20 h, na sala 2 do cine Reserva Cultural, com a exibição do filme Chico Mendes, Eu Quero Viver, de Adrian Cowell, seguido de debate sobre seu legado pela proteção da floresta. Desse encontro participarão sua filha, Elenira Mendes e da atual vice-presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros, Edel Nazaré de Moraes Tenório.

Também será exibido, durante a mostra, o documentário Crianças da Amazônia (foto abaixo), de Denise Zmekhol. Aqui, a floresta do alto rio Juruá é vista de “dentro e pelos olhos de crianças e da própria diretora. Há o olhar de gente até agora invisível: índios e seringueiros, crianças e velhos”, revela o antropólogo Mauro Barbosa de Almeida, no site da mostra.

Ecofalante ainda selecionou produções de diretores renomados que tiveram destaque nos festivais de Cannes, Berlim, Veneza, Sundance, Roterdã, Locarno, Toronto e SWSX para a Mostra Internacional Contemporânea, de longas e curtas metragens que se dividem em seis temas: campo, cidades, consumo, povos & lugares, preservação e trabalho.


Safári (foto acima)
, que trata da indústria de safáris na África e foi lançado no Festival de Veneza, além de ser exibido nos festivais de Roterdã, Toronto e Londres, é a atração da sessão de abertura da mostra. Também serão exibidos:
 Os Hedonistas, de Jia Zhangke, sobre trabalhadores de um parque de diversões, selecionado para o Festival de Locarno;
– Alforria Animal, de D. A. Pennebaker;
– Troféu, sobre a indústria da caça, foi destaque nos festivais de Sundance e SXSW;
– Habaneros, de Julien Temple, traz a história da cidade de Havana ao som de diversos ritmos musicais; e
– Sangue Sami, premiado em Veneza, retrata o racismo na Suécia nos anos 1930.

Da Competição Latino-Americana, participam 28 títulos de oito países: além do Brasil (Sob a Pata do Boi, na foto abaixo), Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Honduras, México e Peru. Os prêmios variam entre R$ 5 mil e R$ 15 mil.

Na mostra deste ano, as crianças também têm vez com a Sessão Infantil, que apresenta uma boa seleção de animações, ficções e documentários produzidos no Brasil, Chile (Idade/Identidade, abaixo), EUA, França e México.

Estudantes de todos níveis de ensino foram contemplados com exibições especiais e também a possibilidade de divulgar suas criações, com Programa Ecofalante Universidades e a Mostra Escola, que promovem projeções e discussões em instituições educacionais. São 14 filmes produzidos na Alemanha, Áustria, Brasil, Canadá, China, EUA, Espanha, França e Reino Unido. Já o Concurso Curta Falante apresenta nove produções de instituições de ensino de Brasília, Mato Grosso,  Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Elas concorrem a dois prêmios: um do júri e outro do público.

Conversas, workshops e realidade virtual

Mostra Ecofalante não é só feita da exibição de filmes. Além dos debates que acompanham os temas da Mostra Internacional (veja a programação no site), este ano ainda serão realizados o Seminário Cinema e Educação, em parceria com o SESC-SP, e dois workshops: um com o cineasta Jorge Bodansky sobre A Prática do Cinema Documental e outro com o biólogo, ecólogo e educador Ed Grandisoli (doutorando em Educação para a Sustentabilidade pela USP) que provocará o público presente a respeito do Audiovisual na Sala de Aula: A Arte a Favor do Meio Ambiente.

E uma parceria com a ONG Greenpeace leva pra dentro da mostra uma experiência sensorial incrível. que recria o ambiente de da floresta amazônica com imagens, sons e aromas. Munduruku: A Luta para Defender o Coração da Amazônia é uma atividade em realidade virtual, que leva os cinéfilos para uma aldeia indígenana Amazônia, com direito a estímulos táteis, auditivos e olfativos. Será no Circuito SPCine Olido, Avenida São João, 473, Centro. Essa experiência foi realizada pela primeira vez, em São Paulo, em junho do ano passado.

Fotos: Divulgação

Mônica Nunes –  com experiência em revistas e internet, escreveu sobre moda, luxo, saúde, educação financeira e sustentabilidade. Trabalhou durante 14 anos na Editora Abril. Foi editora na Claudia e Boa Forma, no site feminino Paralela, e colaborou com Você S.A. e Capricho. Por oito anos, dirigiu o premiado site Planeta Sustentável, considerado o maior portal no tema pela UNF. Integra a Rede de Mulheres Líderes em Sustentabilidade.
ANOTE AÍ:
Fonte: Conexão Planeta

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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