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Agrotóxico tido como ‘inofensivo’, muda comportamento de abelhas

Agrotóxico tido como ‘inofensivo’, muda comportamento de abelhas

Por: Gabriela Glette – hypeness

Tidos como os seres vivos mais importantes do mundo, a ciência já sabe que as abelhas podem estar viciadas em agrotóxicos e, estes pesticidas são os maiores responsáveis pela imensa quantidade de produtoras de mel que vem morrendo nos últimos anos. Nova pesquisa mostrou que, mesmo um pesticida considerado inofensivo mudou o comportamento das operárias, deixando-as letárgicas –  mesmo quando usado em pouca quantidade.

Além de comprometer o funcionamento da colmeia, este pesticida está diretamente ligado com o encurtamento de vida destes insetos – em até 50%. O estudo foi encomendado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo (Fapesp) e visa investigar o desaparecimento das abelhas no mundo inteiro. A resposta é simples e é devido ao uso desenfreado de agrotóxicos, sobretudo no Brasil, onde são permitidos todos os pesticidas proibidos no resto do mundo.

Segundo Osmar Malaspina – pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), na maior parte dos casos, as colmeias desaparecem de 24 a 48 horas, indicando contaminação por inseticida: “Não existe nenhuma doença capaz de matar uma colmeia inteira em 24 horas. Só inseticidas podem provocar isso”, afirmou.

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Foto: Unsplash

Os testes foram realizados em concentrações realistas, como as encontradas no pólen das flores. Porém, mesmo quando ingerido em pouca quantidade, as abelhas contaminadas acabam percorrendo distâncias muito menores, se perdem no campo e, não acham mais o caminho da colmeia, comprometendo toda a colônia, que acaba sofrendo um colapso e morrendo. Os pesticidas investigados na pesquisa foram a clotianidina – usado para controle de pragas nas culturas de algodão, feijão, milho e soja, e o piraclostrobina – aplicado nas folhas da maioria das culturas de grãos, frutas, legumes e vegetais.

Fonte: https://www.hypeness.com.br/2019/05/agrotoxico-tido-como-inofensivo-muda-comportamento-de-abelhas/

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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