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Alter do Chão em chamas: O povo Borari chora por suas terras, por suas florestas…

Alter do Chão em chamas: O povo Borari chora por suas terras, por suas florestas…
O povo Borari chora por suas terras e pela situação de risco, mas não chora sentado. Estamos de pé, combatendo o fogo, e pedindo apoio

Por Leila Borari na Carta Capital

O povo Borari chora por suas terras, suas florestas, e por toda riqueza que vem sendo transformada em cinzas em decorrência da ganância de muitos e do descaso governamental.

A Vila de Alter do Chão – que esse ano ficou mais conhecida em outras regiões do país por meio de reportagens na televisão ressaltando suas belezas naturais – fica localizada no oeste do Pará, à margem direita do Rio Tapajós, e é território do povo Borari.
As queimadas desenfreadas que avançam sobre a Amazônia chegaram na vila na noite do último sábado 14. O início do foco de incêndio foi identificado em uma área no entorno do Lago Verde, onde existe um loteamento ilegal e uma invasão de terras que, há pelo menos três anos, vem transformando essa parte do paraíso que é Alter do Chão em uma zona de conflito agrário.

WhatsApp Image 2019 09 16 at 07.50.53Alter do Chão em chamas. Foto: Reprodução

Alter do Chão é uma vila paradisíaca que atrai muitos turistas, possui praias de água doce com belezas inigualáveis, e por esse motivo cada centímetro de terra está sendo muito valorizado pelo setor imobiliário. As mais disputadas são as próximas ao rio, lago e nascentes de igarapé.
Foi na invasão de terra denominada Capadócia onde começou o incêndio que até o momento já se alastrou até a Comunidade de Ponta de Pedras, a 26 km de Alter. Acredita-se em incêndio criminoso e sabemos que o governador do Estado do Pará, Helder Barbalho, solicitou a Polícia Civil que investigue o caso.
O fogo vem destruindo uma grande área de um tipo de vegetação rara na Amazônia, a Savana Amazônica. O INPA, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, pesquisa e monitora a região há mais de 30 anos e já foram catalogadas espécies de animais endêmicos, ou seja, animais que só vivem nessa área que no momento está em chamas.
Todos os anos, nesse período, há presença do fogo na região, mas que fique claro: não dessa proporção. E nas savanas, o combate ao fogo é muito mais complicado pois a vegetação está seca e qualquer faísca representa perigo.
A queimada está acontecendo dentro de uma APA – Area de Proteção Ambiental. Criada em 2003, essa área até hoje não possui um Plano de Manejo, o que, com as crescentes e invasões de terra, construções irregulares, entre outros problemas relacionados ao ordenamento territorial, é de grande necessidade.
A população de Alter, por conta própria, tem se articulado para proteger a região. Há dois anos foi instituída a Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, um grupo independente composto por homens e mulheres que trabalham de forma voluntária para proteger a floresta e as pessoas. Com treinamento do corpo de bombeiros, esse grupo que, na semana passada formou mais 30 voluntários com ajuda de doações para os custos mínimos do curso, está atuando com força desde sábado.

Conseguiram, além de atuar na linha de frente do fogo, fazer a mobilização dos órgãos governamentais, organizações comunitárias e ONGs. Porém, é necessário mais equipamentos e pessoas capacitadas para atuar na ação do combate ao incêndio (para conhecer mais o trabalho da Brigada e colaborar acesse aqui).

Ao pôr do sol as equipes se retiram do local, e da orla de Alter do Chão, dá para ver as enormes chamas avançarem, um cenário devastador.
O povo Borari chora por suas terras e pela situação de risco, mas não chora sentado. Estamos de pé, combatendo o fogo, e pedindo apoio. Por mais suporte do governo no combate ao fogo; por um plano de manejo urgente para a APA de Alter do Chão; por mais rigor com as ocupações de terra irregulares.
ATUALIZAÇÃO DA SITUAÇÃO EM ALTER DO CHÃO por Caetano Scannavino  (13h00 dessa 2a feira,16/09): o fogo começa a ser controlado na região dos Macacos, com toda atenção agora para Ponta de Pedras, onde o foco permanece grande. Reforços chegando, tb por via aérea, quem sabe até amanhã tenhamos boas notícias. Esclarecendo: 1) o fogo foi por trás do Lago Verde, na região da APA de Alter do Chão, mas bom clarear que não atingiu a parte de moradias da Vila nem a Ilha do Amor, cartão postal do balneário, portanto, pros que querem vir pra cá ou tem viagem marcada, a vida continua, sejam bem-vindos!; 2) Ainda não se sabe a causa ou origem, há suspeitas de ser criminoso, mas não há nada conclusivo até o momento, com investigações em andamento; 3) depois de um final de semana triste, valeu pela mobilização e união de todos, de fora e daqui, bombeiros, brigadistas, moradores, lideranças, organizações, Conselhos, Polícias, Exército, Prefeitura, Gov Estado e muitos outros que estão ajudando. Quem dera consigamos manter essa soma de esforços no enfrentamento de outros desafios da nossa região. Sigamos! #TapajosVivo

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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