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Povos indígenas Haddad

Amapá e Norte do Pará: Povos indígenas votam Haddad13

do Amapá e norte do Pará declaram voto em Haddad

Em nota, indígenas afirmam que proposta de Bolsonaro permeia o ódio contra os

Lilian Campelo
Povos indígenas
” Apoiamos o candidato (…) Haddad porque vemos nele um homem capaz de respeitar a nossa diversidade”, afirma nota dos povos indígenas / Divulgação/Agência

A Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP) declaram voto ao candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) e veem nas propostas do ex-ministro da sensibilidade às necessidades dos povos indígenas.

Em nota, a APOIANP também enfatiza que teme que o candidato da extrema , Jair Bolsonaro (PSL), que atualmente tem mandato de deputado federal, assuma o poder e apoie a revogação da homologação das . Em diversas entrevistas, o candidato do PSL já declarou que pretende frear o processo de demarcação de novas terras indígenas e permitir que eles possam comercializar seus territórios.

“Não aceitamos que essa proposta de governo repleta de ódio, rancor e intolerância nos marginalize e tente retirar de nós indígenas aquilo que nos é mais importante, nossa liberdade, autonomia, , identidade, organização social, nossa existência e direito de viver em nossas terras hoje e no futuro. Não podemos apoiar essa ameaça às nossas conquistas arduamente alcançadas com luta e diálogo com os governos passados”, informa a nota.

Na semana passada, dia 2, a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) declarou oficialmente apoio a Bolsonaro. Composta por parlamentares da bancada ruralista a frente representa uma ameaça aos direitos dos povos indígenas, como propostas de projetos voltados ao que avançam sobre os seus territórios.

A Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará afirma que as propostas do candidato petista abrigam diversidade e respeito aos povos indígenas.

“Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que apresenta uma postura de diálogo aberta e plural, sem exclusão, sem palavras e ações ofensivas. Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira Haddad porque vemos nele um homem capaz de respeitar a nossa diversidade e ainda assim nos considerar brasileiros. Pela nossa existência, diga: #elenão! Diga não a esse mal nefasto! ”.

Confira a nota completa da APOIANP

Nós, povos indígenas do Amapá e Norte do Pará, brasileiros originários que vivem nestas terras muito antes do país ser chamado de Brasil, viemos manifestar nossa preocupação frente ao cenário político-eleitoral que está para definir nas próximas semanas os rumos da democracia brasileira e o futuro de nossas aldeias, comunidades e juventude. No passado éramos uma maioria absoluta de pessoas que viviam nestas terras, hoje, vencidos os 500 anos de genocídios promovidos pelas armas e doenças e, que, provocaram a diminuição drástica da população indígena, vivemos um momento de insegurança quanto ao nosso futuro. Nossas conquistas são frutos de nós indígenas em movimento, vieram através de muita luta e enfrentamento ao mundo não indígena, assim como da vida e da morte de tantas lideranças de norte a sul, de leste a oeste.

Juntos representamos uma considerável diversidade cultural e linguística, estatisticamente somos contabilizados em mais de 300 povos distintos, falantes de quase 200 línguas indígenas, mas que apesar das muitas conquistas, sobretudo garantidas na Constituição Federal de 1988, ainda precisamos continuar lutando para a permanência de nossos direitos conquistados pelo sangue de nossos antepassados.

Estamos temerosos com o discurso de ódio e de intolerância que surge entre nós, indígenas e não indígenas, nestas eleições de 2018.

Todos os anos mostramos aos sucessivos governos políticos brasileiros que continuamos existindo, promovemos o Acampamento Terra Livre em Brasília na data em que as escolas costumam comemorar o “dia do índio” – abril indígena – exatamente para mostrar aos governantes do que somos vigilantes na garantia de nossos direitos constitucionais e que não aceitaremos a revogação de nenhuma terra! Muitos não índios, representados pela bancada da “bala”, do “boi” e da “bíblia”, continuam invadindo e usurpando nossas terras com o objetivo de transformar o Brasil e a numa lavoura de soja ou numa boiada produtiva. Não aceitamos que em “nome de Deus” e da “família” o “inominável” – também conhecido como #elenão – apoie a revogação da homologação de nossas terras, barre a “demarcação já” que dá esperança de futuro às novas gerações. Não aceitamos que essa proposta de governo repleta de ódio, rancor e intolerância nos marginalize e tente retirar de nós indígenas aquilo que nos é mais importante, nossa liberdade, autonomia, cultura, identidade, organização social, nossa existência e direito de viver em nossas terras hoje e no futuro. Não podemos apoiar essa ameaça às nossas conquistas arduamente alcançadas com luta e diálogo com os governos passados.

Queremos viver em nossas terras, sem ameaças veladas e sorrateiras, queremos prosseguir na luta por saúde e educação específica e diferenciada, sem imposições e silenciamentos. Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que é sensível as necessidades dos povos indígenas! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que acredita que o Brasil pode abrigar a diversidade que somos e representamos! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que respeita nós povos indígenas como somos, sem querer nos transformar em algo que não queremos! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que acredita na educação para todos, numa educação diferenciada, multilíngue e autônoma! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que não irá nos trair pelas nossas costas, revogando a demarcação e homologação de nossas terras! Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira que apresenta uma postura de diálogo aberta e plural, sem exclusão, sem palavras e ações ofensivas. Apoiamos o candidato a presidência da república brasileira Haddad porque vemos nele um homem capaz de respeitar a nossa diversidade e ainda assim nos considerar brasileiros. Pela nossa existência, diga: #elenão! Diga não a esse mal nefasto!

Macapá, 10 de outubro de 2018.

Articulação e Organização dos Povos Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP)

ANOTE AÍ

Fonte: Brasil de Fato

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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