ANDAN CAZANDO…

Andan cazando:

Por Bernardo Penoucos

Guachos.

Viejas.

Pibes.

Fotógrafos.

Militantes.

Docentes.

Estudiantes chilenos.

Cholitas del altiplano.

Indigenas equatorianos.

Campesinas en Brasil.

Presidentes democráticos.

Andan cazando:

Plazas.

Esquinas.

Trotamundos.

Mapuches.

Quechuas.

Aymaras.

Murgueros.

Artistas callejeros.

Se les anda escapando:

Narcos.

Lavadores de milliones.

Jefes de la trata.

Saqueadores de riquezas naturales.

Dictadores de la carta.

Políticos corruptos levantadores de manos.

Comisarios liberadores de zonas y de muertes.

Torturadores haciendo las compras y leyendo el diario en un café.

Empresarios explotadores y sonrientes.

Todo lo que mata y miente.

Nunca podrán cazar:

Resistencias.

Memoria.

Poesia.

Las fotos de la denuncia.

Los pañuelos de las madres.

El grito en el eco del viento del originario.

La musica rebotando resistencias.

La marea verde.

La canción de todos.

La muerte de uno como

nacimiento de nosotros.

NOTA: Poema atribuído a Bernardo Penoucos nas redes sociais. Não nos foi possível verificar a autoria.

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Modéstia: a palavra certa para definir Jaime Sautchuk 

Nenhuma palavra resume o caráter de uma pessoa. Mas é possível escolher aquela que mais simboliza sua maneira de ser e agir no mundo. Para Jaime Sautchuk esta palavra é modéstia. A capacidade de fazer sem precisar aparecer como autor.
Por Cristovam Buarque
Ele tinha a simplicidade que lhe permitia lutar e desempenhar papéis decisivos, sem precisar mostrar que estava na trincheira.
Com esta maneira discreta, conseguiu ser um jornalista competente e respeitado, um militante ativo e um pioneiro na consolidação da ideia e na realização do movimento pelo desenvolvimento sustentável, além de exercer na prática a atividade de ecologista.
Em sua geração, Jaime esteve adiante da maioria no respeito à natureza e na crítica à civilização industrial. Para ele, a barbárie estava na exploração do homem pelo homem, mas também na depredação da natureza pelo conjunto dos seres humanos.
Nesta concepção e luta ele fez amigos e aliados aos quais cabe agora a responsabilidade de carregar a bandeira que ele portou por quarenta anos.  Com toda sua modéstia, Jaime vive em nós e naqueles que vierem depois.
Rênio Quintas: UM SER HUMANO APAIXONADO 
Jaime Sautchuk era um ser humano apaixonado, um homem de convicções! Amava a humanidade, o humanismo, a natureza e o Cerrado. Reverenciava nossos irmãos indígenas, acreditava nas pessoas!
Construiu uma história de vida de integridade e coerência política! Leal com amigos, era grande e permanente parceiro. Tive o privilégio de assinar algumas trilhas de vídeos idealizados por ele. Jaime fará muita falta nesse momento de homens áridos, rasos e, em última análise, vazios!
Segue em paz, querido amigo, em sua nova jornada cósmica, navegando nas estrelas que você adorava olhar nas noites suas do seu Brasil profundo!
Thâmar de Castro Dias: LÁ SE VAI UM GIGANTE
Lá se vai um gigante. Um grande jornalista nacional e internacional, compromissado com a verdade dos fatos. Defensor intransigente do meio ambiente.
Lutador da causa da liberdade, da Democracia, da soberania dos povos e da igualdade das pessoas. Numa hora de obscurantismo e ameaça autoritária, sofremos uma perda significativa nas hostes progressistas e democráticas.
Eu perco um grande e carinhoso amigo. Presente na minha vida há 40 anos. Sempre muito presente. Vai ser difícil conviver com mais essa ausência.

 

Jaime foto Claudinha 1

Foto: Claudinha 
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Jaime Sautchuk : Feliz com as coisas que faz e com o amor que tem
Homenagem ao Jaime Sautchuk 
Por Cláudia Costa Saenger
Cláudia – O que te constrange?
Jaime – O que mais me constrange é pensar que estou fazendo mal a alguém. Fico doidinho querendo reparar.
Cláudia – Qual o pior sentimento humano?
Jaime – Acho que inveja, que é o contrário da solidariedade.
Cláudia – O que te excita?
Jaime – Bom, uma boa ideia me excita. Mas a carne é fraca, de modo que um ato sexual também é bom demais…
CláuDia – Como foi o seu primeiro beijo?
Jaime – Nem lembro direito… Mas, beijo mesmo, foi lá pelos 16 anos, em Curitiba, com uma namorada que achava que ia casar comigo… ksks
Cláudia – Você se arrepia com música?
Jaime – Claro!
Cláudia – Qual música te faz arrepiar?
Jaime – Um blues de Lidbeli, um canto do Gil, uma rima do Chico, um acorde de Chopin, um rasqueado do Tião Carreiro, uma batida de festa do Divino… Ou seja, música é arte, e arte me encanta… até um gol no futebol, que é arte tbém…
Cláudia – Pior porrada na vida?
Jaime – Acho que foi o nascer do meu 1º filho, quando eu tinha 22 anos (a Vera tinha 26). Sim, pior no sentido de mais forte, não de negativo.
Cláudia – Pior traquinagem?
Jaime – Traquinagem não tem pior… é sempre boa. Tem muitas, desde menino. Mas meu jeito de furtar discos em lojas de Curitiba era 10.
Cláudia – Do que se arrepende?
Jaime – De nada. Afora pequenas coisas que podem ter prejudicado pessoas, mas que foram sem querer. Mas, nas grandes coisas, nada.
Cláudia – Do que se lembra com ternura.
Jaime – Eu poderia ser um cara rico, se tivesse sido a favor da ditadura, por exemplo… mas disso sinto orgulho.  [E de] um padre marista, chamado Irmão Ventura Ferreira, meu professor de história, de francês e de sociologia…
Cláudia – Palavra que te descreve?
Jaime – Amor
Cláudia – Nome do primeiro amor?
Jaime – Ana
Cláudia – Como terminou, se é que terminou?
Jaime – Era minha mãe. E morreu…
Cláudia – Pior terminar ou terminarem?
Jaime – Não vejo essa dicotomia… as coisas acontecem meio que por acaso…
Cláudia – Complete a frase: Sou um homem que…
Jaime – … é feliz com as coisas que faz e com o amor que tem.
(…)
Cláudia – Desse jeito, vai ter que me recolher com um pano de chão (eu me dizia manteiga derretida, chorona).
Jaime – Com um canudinho.

 

Jaime e Claudibha bambu e1629578155573
Cláudia Costa Saenger – Companheira de Jaime – Diálogo via skype no ano de 2014. Jaime virou pó de estrela em 14/07/2021. Claudinha não aguentou de saudade, foi ao encontro de Jaime em julho do ano seguinte. 

Diário de Viagem (com Jaime Sautchuk)

A primeira coisa que li de Jaime Sautchuk foi sua reportagem sobre a Guerrilha do Araguaia. Me impactou, tanto pelo tema, quanto pela escrita. 
Daí em diante, foram muitos anos de amizade, principalmente durante a Constituinte.  Ele era muito amigo do meu ex-marido, Calucho, pai do meu filho, e vivia lá em casa.

Lídice da Mata

Depois, li seu livro sobre a Albânia. Um livro simples, fácil de ler, quase um Diário de Viagem. Também pude conviver com ele quando veio morar na Bahia, casado com sua segunda esposa, a Adnair, uma querida amiga e militante do PCdoB.
Nos encontramos diversas vezes aqui em Salvador, nas festas de largo, em algumas movimentações políticas, sempre inventando e criando uma coisa nova.
Nessa época, ele já estava pensando, elaborando e realizando o Projeto que veio a implantar em Goiás – de uma reserva ecológica. Quando ele fundou sua produtora de TV e vídeo, a Câmera 4, fiz vários vídeos com ele.

História do Futebol

Em 2006, quando voltei para o Congresso, como deputada federal, fui presidente da Comissão de Turismo e Esporte e contratei Jaime para trabalhar comigo, na área do esporte, e pude conhecer esse seu outro lado maravilhoso, que era sua profunda paixão pelo futebol.
Ele escreveu um livro, também maravilhoso, sobre a História do Futebol.
Uma das grandes características de Jaime, como jornalista, era conseguir escrever sobre questões complexas de maneira muito simples.
Da Guerrilha do Araguaia à História do Futebol, era igual. Fácil de ler, fácil de entender. Isso fazia dele um grande jornalista, talentoso, criativo, comprometido com as causas populares e respeitado por todos.
Foi um grande amigo. Jaime sempre foi um ponto de ligação entre nós. Entre toda uma turma que militou junto, que trabalhou junto, que lutou junto e que teve os mesmos sonhos de liberdade e de democracia que Jaime Sautchuk
Fotos:  Claudinha – Cláudia Costa Saenger, companheira de Jaime, encantada em 13/07/2023. 

 

DIÁRIO DE VIAGEM (COM JAIME SAUTCHUK)

Cláudia Saenger
O Jaime que segue em nós
Jaime Sautchuk, nosso editor e mestre, nos deixou no dia 14 de julho de 2021.  Jaime ancestralizou, virou pó de estrela em alguma constelação de esperança, em algum jardim distante, nos insondáveis mistérios do infinito. 
Por Zezé Weiss 
Durante os quase sete anos em que Jaime editou a Xapuri, nossa companheira Lúcia Resende revisou os textos dele. À moda de homenagem, Lúcia juntou as principais expressões dele, que acabamos por adotar como fala própria da nossa equipe aqui na Xapuri: 
Bão demais da conta, bão tamém, bem na foto, bora lá, boto a mó fé, boto fé, carca porva, c´ocê, de modo que, foi pras cucuia, iguar que nem, inté, ixe, jazim, lindura, maismenin, meno male, mió de bão, mó barato, nos conforme, nos finarmente, no grau, nóis teima, nos trinque, o mais das veiz, ops, proceis, pros, pruns, salve, supimpa, tá que tá, tão bão, tracoisa, té parece, tocaí (a matéria, a revisão), trodia, tudireitim, um cadim, vô garrá, xá comigo; e, a mió das mió: pois, pois…
Neste segundo aniversário de sua partida do espaço físico deste mundo, além da saudade infinita, segue em nós esse jaimês lindo e sem fim. Gratidão, Jaime! 
Zezé Weiss – Jornalista. Parceira de Jaime na fundação da Revista Xapuri
LEIA TAMBÉM:

Jaime Sautchuk: “E os burocratas, de que morrem?”

A cirrose mata o bêbado
Overdose, o tri-legal
Aids, o do risco
Stress, o jornalista
Sol, o camponês
Trabalho, o operário
Fome, o miserável
Mar, o pescador
Coragem, o revolucionário]
Tiro, o menino de rua
Tensão, o piloto
Tesão, a prostituta
Paixão, eu e alguns amores
Que, bem ou mal, serão louvados
E os burocratas, de quê morrem? 
Morrem de tédio, os desgraçados! 

“Uma vida irriquieta, intensa e de pleno sentido” 

Em memória de Jaime Satuchuk 
Por Maria Rosa, João Miguel e Carlos Emanuel

 

JAIME SAUTCHUK: "E OS BUROCRATAS, DE QUE MORREM?"

Foto: Arquivo Pessoal

A palavra ágil e leve, mas precisa e aguda, foi sua marca. Assim foi também sua vida, um percurso irrequieto, intenso e de pleno sentido.
Jaime nasceu em Joaçaba, Santa Catarina, em 1953, filho de descendentes de imigrantes italianos, poloneses e ucranianos.
Catarinense de nascimento, se tornou goiano de coração, acolhido com títulos e homenagens em três cidades de Goiás.
Coroinha quando criança, na adolescência escreveu para um jornal da escola religiosa, tomando gosto pela palavra, que se tornaria sua ferramenta de trabalho e sua arma de luta.
Após rápida passagem como bancário em Curitiba, mudou-se para Brasília, sonhando formar-se jornalista. Logo nos primeiros períodos de faculdade, conseguiu emprego no Diário de Brasília.
Aos 20 anos, casou-se e emigrou para Londres, num dos períodos mais duros da repressão, onde trabalhou na BBC.
De retorno ao país no final da década de 1970, passou por muitos veículos da imprensa escrita, como MovimentoOpiniãoFolha de São Paulo, Veja, O Globo, Jornal de Brasília. Afinal, e mais tarde, O Pasquim.
Realizou reportagens investigativas memoráveis, do universo político aos mais diversos rincões.
Dirigiu duas emissoras de rádio da RBS em Brasília, a Alvorada-AM e Atlântida-FM, onde tiveram espaço da música caipira ao nascente rock de Brasília, além de programas como Os Cobras da Notícia.
Aprendeu a dedilhar a viola e a entoar canções, principalmente de Goiá, seu compositor preferido e autor de Saudade de Minha Terra, uma espécie de hino pessoal seu.
Integrou-se a diversos movimentos coletivos. Militou no PCdoB, participando do processo de redemocratização. Atuou no Sindicato dos Jornalistas. Foi um fiel corintiano e compôs o grupo que criou o grupo carnavalesco Pacotão.
No final da década de 1980, criou uma produtora de vídeo para apoiar a execução dos documentários que dirigiu, dentre eles: “Planaltina, a Via Sacra Nacional”, “A Marcha dos Sem Terra”, “Balbina, Destruição e Morte”, pelos quais recebeu diversos prêmios.
No final do século passado, idealizou e participou da implantação do FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, que até hoje faz parte do calendário cultural da Cidade de Goiás (Goiás Velho).
Atuou por vários anos em organismos internacionais, como o Unicef, num programa de capacitação de radialistas sobre crianças e adolescentes, e no Conselho Mundial da Paz.
Teve contribuição também como assessor no Governo do Distrito Federal, na Câmara dos Deputados (durante a Constituinte e a CPI CBF-Nike). Trabalhou também no Ministério do Esporte, durante a gestão do ministro Agnelo Queiroz, no governo Lula.
Sua obra literária é extensa, comportando obras de ficção, como “Mitaí”, e obras documentais, como “A Guerrilha do Araguaia”, “Albânia”, “A Luta Armada no Brasil”, “Os Descaminhos do Futebol” e, mais recentemente, biografias como a de:
Cruls: Histórias e Andanças do Cientista Que Inspirou JK a Fazer Brasília”, e “O Causo eu Conto”, sobre o escritor goiano Bernardo Élis. Dedicou-se também à poesia, inclusive no formato de cartazes.
No início dos anos 1990, foi um dos pioneiros a investir seu patrimônio para criar no Cerrado de Cristalina, em Goiás, a Reserva Particular do Patrimônio Natural Linda Serra dos Topázios – sua morada até o fim.
Com vocação científica e acadêmica, ali foram desenvolvidos desde cursos de educação ambiental até eventos de astronomia, passando pela pesquisa da biodiversidade do Cerrado, que originou o livro “Flores e Frutos do Cerrado”, guia de campo editado por ele, envolvendo cientistas, artistas e mestres locais. Tudo em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) e outras instituições.
Nos últimos sete anos, foi responsável editorial e redator da revista e portal Xapuri, veículo independente dedicado à defesa do meio ambiente, dos direitos humanos e da democracia. Foi, também, articulista do Portal Vermelho e, mais recentemente, lançou seu próprio blog, SerTão Cerratense.
Forte em seus princípios e amplo em seus diálogos, transitou entre regueiros e comandantes do Exército, entre ruralistas e trabalhadores sem-terra.
Hábil comunicador, foi incansável na busca da verdade, na defesa do meio ambiente, dos trabalhadores, da soberania nacional, dos direitos dos povos indígenas, e das crianças e dos adolescentes.
Sua vida fluiu até o último minuto como corria sua pena – clara e precisa, qual uma flecha apontando para o valor atemporal do seu legado.
Filhos, foram três. Livros, escreveu dezesseis. Árvores, não só plantou como protegeu toda uma reserva.
Valeu demais da conta, Jaiminho. Pra você, a vida foi dez!
 Maria Rosa, João Miguel e Carlos Emanuel – filha e filhos de Jaime. Fotos: Acervo Família. 

 

"UMA VIDA IRRIQUIETA, INTENSA E DE PLENO SENTIDO"

Foto: Zezé Weiss

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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