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Baleia Azul se Defende do Petróleo na Justiça Federal

Baleia Azul se Defende do Petróleo na Justiça Federal

Ação na Justiça pede suspensão de leilão de petróleo para garantir direitos da Baleia Azul. No pedido de ACP protocolado na Justiça Federal, a ANDA, o Instituto Arayara  e a ANAA lembram que outras 89 espécies marinhas ameaçadas de extinção também podem sofrer o impacto da atividade petroleira…

Três organizações da sociedade civil solicitaram na sexta-feira (24/09) à Justiça Federal no Distrito Federal liminar em regime de urgência para suspender a realização da 17ª Rodada de Licitação de Blocos marítimos para exploração de petróleo e gás natural.

As organizações apontam que  as atividades petroleiras colocam riscos para a Baleia Azul (Balaenoptera musculus) e outras 89 espécies ameaçadas de extinção que vivem nas áreas a serem exploradas.

O pedido de Ação Civil Pública (ACP), de número 1068148-31.2021.4.01.3400, contra a  Agência Nacional de Petróleo (ANP) e a União, foi protocolado pela Agência de Notícias de Direitos Animais (ANDA), o Instituto Internacional Arayara e a Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA).

A Baleia Azul é o maior animal vivo sobre a superfície da Terra, pode atingir até 33,6 metros de comprimento e pesar mais de 140 toneladas.  Ela é a espécie de baleia menos estudada e conhecida. Vive em todos os oceanos e é um animal considerado solitário pelos cientistas. É comum o registro de duplas de mãe e filhote, e de grupos pouco numerosos.

A ANP, uma autarquia do Ministério das Minas e Energia, planeja leiloar 92 blocos marítimos no próximo dia 7 de outubro, mas não realizou qualquer estudo conclusivo de impacto ambiental, apesar de ter sido orientada nesse sentido por técnicos do Ibama e do ICMBIO.

Os blocos estão localizados nas bacias sedimentares marítimas de Campos, Pelotas, Potiguar e Santos. As áreas a serem leiloadas envolvem três unidades federais de conservação marinha: o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, a Área de Proteção Ambiental em seu entorno e a Reserva Biológica do Atol das Rocas.

A ACP “busca a proteção jurisdicional dos direitos individuais homogêneos das Baleias Azuis e seu direito difuso ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, direito este que compartilham conosco, os seres humanos, no âmbito do Direito brasileiro. Nesta ação, as Baleias Azuis são os sujeitos de direitos que representam, simbolicamente, todos os outros animais marinhos os quais também serão afetados pela continuidade da 17ª Rodada de Licitação”.

“A permissão da realização do leilão já é um risco à vida das Baleias Azuis, uma vez que vai conceder direito aos licitantes vencedores de explorarem o bloco respectivo para encontrar petróleo explorável. (…) Todavia, é evidente a ocorrência de riscos de danos aos ecossistemas e aos animais marinhos. Em especial àqueles ameaçados de extinção”, diz a ACP.

“Lutamos para trilhões de animais não sejam eliminados dos mares brasileiros pelo petróleo”, observou Silvana Andrade, presidenta e fundadora da ANDA

“Nesta ACP, diferentemente das tradicionais ACPs ambientais, não estamos defendendo direitos em nome dos indivíduos humanos, nem da universalidade de humanos, mas sim os interesses e direitos individuais homogêneos das Baleias Azuis e seus direitos difusos (os quais compartilham conosco) ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, avalia Waleska Mendes Cardoso, co-diretora da ANAA

Waleska também observa que é “importante ressaltar que a simples realização da atividade de exploração já é geradora de riscos aos direitos mais fundamentais das Baleias Azuis. São direitos à vida digna, à integridade física e psíquica, à saúde, à alimentação, à proteção da infância e da maternidade, a viver de acordo com sua natureza e sua cultura, tudo isso graças à violação do seu direito ao meio ambiente equilibrado”.

“Os diversos acidentes causados pela exploração de petróleo em mar ocorridos no passado causaram um número assombroso de morte de animais. Algumas espécies foram extintas, e muitas demoraram muitos anos para recuperar a população anterior ao acidente. Nos locais ofertados também há muitas espécies que não estão ameaçadas, mas que habitam estas áreas. Estes animais não podem se defender sozinhos. Vamos lutar para impedir que também esses animais sejam mortos e até extintos pela exploração do petróleo, que é uma energia do passado”, afirmou Nicole Figueiredo de Oliveira, diretora do Instituto Internacional Arayara.

A ANP qualificou nove empresas para participar da 17ª Rodada, e pelo menos quatro delas (Chevron, Ecopetrol, Esso e Total) têm histórico de gravíssimas violações de direitos humanos e ambientais em países nos quais atuaram anteriormente. Entre esses países estão a Colômbia (Ecopetrol), o Equador (Chevron), Nigéria (Esso) e Uganda (Total).

A Associação dos Acionistas Minoritários da Petrobras também avisou a empresa, através de carta, que a exploração de petróleo nas áreas ofertadas pela ANP tem grandes riscos ambientais, o que poderia gerar passivos para a empresa.

Fonte: Instituto Internacional Arayara – Assessoria de imprensa – Carlos Tautz –  WhatsApp: 21-99658-8835 – Email: carlos.tautz@arayara.org

Capa: Justificando.

Baleia azul se defende na justica

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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