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Bela Gil: "Agoecologia é uma forma de resistência"

Bela Gil: “Agoecologia é uma forma de resistência”

Bela Gil: “Agoecologia é uma forma de resistência”
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Palavras de Bela Gil em 03 de setembro no lançamento da da Fentre Parlamentar em Defesa da Agroecologia e da Produção Orgânica

O seminário “Terra e Territórios: Alimentação Saudável e Redução de Agrotóxicos” foi realizado na terça-feira (3), na Câmara dos Deputados. Durante o evento também foi lançada a Frente Parlamentar em defesa da Agroecologia e da Produção Orgânica. “A agroecologia é uma forma de resistência, não estamos só resistindo, estamos produzindo”, disse a nutricionista e apresentadora Bela Gil, em coletiva de imprensa.

Para Bela Gil é preciso mudar de direção e ir para o rumo da agroecologia. “Esse é o caminho que vamos conseguir alimentar o mundo, não só o Brasil, mas o mundo sem veneno. Cabe ao governo entender que investir na alimentação é investir na saúde da população. Tem muita gente que não consegue arcar com uma alimentação saudável porque o preço não cabe no seu orçamento. O governo precisa fazer com que o acesso à alimentação saudável chegue a todos. A agroecologia é muito importante para a população e para o planeta”, explicou a apresentadora.
Parlamentares da Bancada do PT na Câmara, entidades e ambientalistas que participaram do seminário concederam coletiva de imprensa no início da tarde, para explicar a importância do evento. “O seminário tem o objetivo de discutir a terra como espaço de cidadania, espaço onde as pessoas possam viver, mas viver com saúde, produzir alimentos saudáveis e conquistar a nossa soberania”, afirmou o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa da Agroecologia e da Produção Orgânica, deputado Leonardo Monteiro (PT-MG).
O seminário é realizado em um período em que o País experimenta retrocessos nas políticas públicas, na legislação ambiental, direito ambiental e nas conquistas do povo brasileiro. Durante a entrevista, o deputado Nilto Tatto (PT-SP), que também é coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, destacou que o seminário “é a agenda da vida, do respeito aos animais, de respeito aos mananciais, de respeito à biodiversidade, da alimentação sadia na mesa de todos os brasileiros e de todos aqueles que compram os alimentos do Brasil. Diferentemente da agenda do governo Bolsonaro, que é a agenda da morte”.

Agroecologia

Agroecologia é uma forma de agricultura sustentável que visa a acabar com os danos causados à biodiversidade e à sociedade pela prática da monocultura, dos transgênicos, fertilizantes industriais e dos agrotóxicos.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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