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Brazil’s Lula promises indigenous tribes he will reverse Bolsonaro measures

Brazil’s Lula promises indigenous tribes he will reverse Bolsonaro measures

Former leftist President Luiz Inacio Lula da Silva on Tuesday promised Brazil’s indigenous people that he would stop illegal mining on their reservations and recognize their land claims if he wins the presidential election in October.

Lula visited a protest camp in Brasilia where several thousands of members of 200 tribes have gathered to oppose plans by far-right President Jair Bolsonaro to allow commercial agriculture, mining and oil exploration on their lands.

“Everything this government has decreed against indigenous peoples must be repealed immediately,” said Lula, who held the presidency for two terms from 2003 to 2010.

“Nobody did more for indigenous people than our Workers Party governments, and now everything has been dismantled by this unscrupulous government,” Lula told a cheering crowd.

Bolsonaro is trailing Lula in early polls ahead of the Oct. 2 election. The president vowed in 2018 not to recognize a single centimeter of indigenous reservation land, winning him the backing of Brazil’s powerful farm lobby.

Indigenous leaders called on Lula to rebuild the government’s indigenous affairs agency Funai, which has had its funding cut and staff depleted under Bolsonaro.

“Lula, we are unprotected. Our rights are being trampled on,” said Joenia Wapichana, the country’s only indigenous representative in Congress.

She said illegal occupations of protected indigenous lands are being legalized and wildcat miners are invading reservations where they destroy forest and pollute rivers.

Illegal mining grew 46% on the Yanomami reservation last year as high gold prices and tacit support from Bolsonaro set off a gold rush, bringing disease, violence and rights abuses, a report published on Monday said.

The critical situation faced by tribes has led a record number of more than 30 indigenous people to run for Congress this year, said Sonia Guajajara, head of APIB, the main umbrella organization for Amazonian tribes.

Source: Reuters


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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