“É Coisa de Preto”

“É Coisa de Preto”: Tom Maior aborda a contribuição do negro no Brasil

Fundada em 1973, a Tom Maior ainda busca seu primeiro título no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo. Neste ano, a agremiação da Zona Oeste terá como tema de enredo “É coisa de preto”, para falar sobre a contribuição do negro no desenvolvimento do Brasil.

Da UOL 

No Carnaval 2020, Pâmella Gomes vai desfilar pelo sexto ano seguido à frente dos ritmistas. Bailarina do “Domingão do Faustão”, Pâmella também é musa da Imperatriz Leopoldinense, no Rio.

Ela tem um ligação antiga com a escola paulistana, pois frequenta a quadra da Tom Maior há nada menos que 25 anos. Aos 3, Pâmella começou na ala das crianças. Depois se tornou rainha mirim, madrinha mirim, destaque de chão, princesa de bateria e, finalmente, rainha de bateria da escola.

De acordo com a programação do Carnaval de São Paulo, a Tom Maior será a segunda escola a desfilar na primeira noite do Grupo Especial, na sexta-feira (21 de fevereiro). O início está previsto para 0h25, na madrugada de sexta para sábado, no sambódromo do Anhembi.

No ano passado, a escola escapou por pouco do rebaixamento – terminou em 12° lugar em 2019, com a mesma pontuação da rebaixada Acadêmicos do Tucuruvi.

SAMBA-ENREDO

“É coisa de preto”

Compositores: Gui Cruz, Rafael Falanga, Vitor Gabriel, Portuga, Imperial, Elias Aracati, Luciano Rosa, Reinaldo Marques, Marçal e Willian Tadeu.

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Brasil, não vim pra ser escravo nem servil
Sou filho dessa pátria mãe gentil
Que traz a esperança no olhar
Oh, meu país… que tanto sustentei em meus braços
Espelha tua grandeza num abraço
Revela o meu dom de encantar
Não é esmola teu reconhecimento
O meu talento é mais que samba e Carnaval
Na luz da ribalta,
Retinta beleza se fez imortal

A negra inspiração… é poesia
A arte de criar… é quem me guia
Floresce de um baobá
Um pensamento de amor
Herança que a mordaça não calou

Se a vida deixou cicatrizes
Ideais são raízes do meu jeito de viver
Faço da minha negritude
Um legado de atitude, inspiração pra vencer
Lutar… é preciso lutar por igualdade
Liberdade… fazer da resistência uma nova verdade
Soprando a poeira da história
A nobreza em meus olhos brilhou
É o dia da nossa vitória
Conquistada sem favor

Um guerreiro da cor
Herdeiro de Palmares
Sou Tom Maior, a voz da liberdade
A minha força pra calar o preconceito
É coisa de pele, é coisa de preto

Fonte: Geledés

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana do mês. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN Linda Serra dos Topázios, do Jaime Sautchuk, em Cristalina, Goiás. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo de informação independente e democrático, mas com lado. Ali mesmo, naquela hora, resolvemos criar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Um trabalho de militância, tipo voluntário, mas de qualidade, profissional.
Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome, Xapuri, eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também. Correr atrás de grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, ele escolheu (eu queria verde-floresta).
Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, praticamente em uma noite. Já voltei pra Brasília com uma revista montada e com a missão de dar um jeito de diagramar e imprimir.
Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, no modo grátis. Daqui, rumamos pra Goiânia, pra convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa para o Conselho Editorial. Altair foi o nosso primeiro conselheiro. Até a doença se agravar, Jaime fez questão de explicar o projeto e convidar, ele mesmo, cada pessoa para o Conselho.
O resto é história. Jaime e eu trilhamos juntos uma linda jornada. Depois da Revista Xapuri veio o site, vieram os e-books, a lojinha virtual (pra ajudar a pagar a conta), os podcasts e as lives, que ele amava. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo a matéria.
Na tarde do dia 14 de julho de 2021, aos 67 anos, depois de longa enfermidade, Jaime partiu para o mundo dos encantados. No dia 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com o agravamento da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.
É isso. Agora aqui estou eu, com uma turma fantástica, tocando nosso projeto, na fé, mas às vezes falta grana. Você pode me ajudar a manter o projeto assinando nossa revista, que está cada dia mió, como diria o Jaime. Você também pode contribuir conosco comprando um produto em nossa lojinha solidária (lojaxapuri.info) ou fazendo uma doação via pix: contato@xapuri.info. Gratidão!
Zezé Weiss
Editora