Carne de sol: Do Sertão da Farinha Podre às barrancas do velho Chico

CARNE DE SOL: DO SERTÃO DA FARINHA PODRE …

Carne de sol: Do Sertão da Farinha Podre às barrancas do velho Chico

A carne de sol, típica do Nordeste, está presente na rica culinária mineira, das terras do antigo Sertão da Farinha Podre – área entre as regiões do Alto Paranaíba e Triângulo Mineiro – até o extremo norte de Minas, com raízes fincadas nas barrancas do Rio São Francisco, em toda a sua extensão.

Por Lúcia Resende

De origem provavelmente calcada no hábito de conservar o alimento com sal trazido pelos portugueses, a carne de sol, também chamada carne de vento ou carne do sertão, percorreu as trilhas da colonização e segue muito apreciada na atualidade.

Presença certa nas bruacas dos tropeiros, serviu e serve de base para a comida do sertão. Da mesma forma, frequenta as mesas urbanas, da mais simples à mais sofisticada.

Nas barrancas do Velho Chico, muitas são as formas de preparo, todas elas apreciadas. Mas o escondidinho de carne de sol é, sem dúvida, uma delícia que agrada sertanejos e citadinos, moradores ou passantes.

É ali nas margens do rio que está Mirabela, cidadezinha afamada por produzir uma das melhores carnes de sol do Brasil e de onde o produtor rural Alex Alves ensina a receita (globo.com).

Escondidinho de carne de sol

Ingredientes

  • 1 ½ quilo de carne de sol picadinha
  • 300 gramas de queijo minas fresco e ralado
  • 250 gramas de requeijão cremoso
  • 200 gramas de creme de leite
  • 2 cebolas médias picadas
  • 4 dentes de alho picados
  • Cheiro verde e pimenta de cheiro a gosto
  • 2 tabletes de caldo de galinha
  • 1 quilo de mandioca

Modo de preparo

  • Coloque um filete de azeite para refogar a cebola e o alho. Em seguida, jogue a carne de sol e a pimenta de cheiro. Deixe fritar até ficar ao ponto, em torno de 20 minutos. Reserve.
  •  Coloque os pedaços de mandioca na panela de pressão junto com os tabletes de caldo de galinha. Assim que o barulhinho da pressão começar, a mandioca já vai estar cozida. Ponha os pedaços em uma vasilha e amasse.
  • Mandioca bem amassada, é hora de colocar o creme de leite e, em seguida, o requeijão cremoso. Misture bem. Em outra vasilha, coloque a carne de sol e por cima o purê de mandioca. Salpique o queijo minas ralado e leve ao forno por 15 a 20 minutos, em fogo alto. Depois, é só saborear.

Foto: culinaria.culturamix.com

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Por Lúcia Resende 

Então, vamos lá, fazer o requeijão com base na receita da Miriane Pereira de Souza (com o nosso toque), de Goianésia (GO), publicada na Comunidade Sou Roceiro Caipira com Orgulho, no Facebook.

1. Coloque o leite cru em uma vasilha. Deixe em repouso até virar coalhada (em geral um ou dois dias, dependendo do clima).

2. Retire a camada de nata, ou seja, a gordura, e reserve para refogar a massa.

3. Escorra o soro, coloque a massa numa panela de fundo largo e leve ao fogo, com um pouco de leite, mexendo sempre, até esquentar bem.

4. Vá escorrendo o soro, adicionando mais leite fresco, cozinhando, escorrendo de novo e repetindo esse processo até a massa ficar bem “lavada”, com uma consistência elástica e sem o sabor azedo.

5. Coloque para escorrer em uma peneira e reserve.

6. Em uma panela, coloque um pouco da manteiga, deixe fritar e acrescente a massa aos poucos, refogando e mexendo.
7. Se quiser uma textura mais macia, ou até cremosa, coloque leite aos poucos, mexendo sempre, com uma colher de pau, até que a mistura fique homogênea.

8. O ponto ideal é quando se levanta a colher cheia, e a massa escorre bem lisa. É a hora do delicioso beliscão! Hummm…

DICAS

1. Para cada 10 litros de coalhada você vai precisar de uns 5 litros de leite fresco, para o processo de lavagem da massa.

2. A cor e o sabor do requeijão vão depender da fritura da nata. Para um requeijão mais branco, só esquente a nata, até começar a fritar, e coloque a massa. Se você prefere aquele requeijão mais moreninho, com gostinho mais acentuado, é só fritar bem a nata, até a morenice aparecer, antes de acrescentar a massa escorrida.

3. Se você quer um requeijão light, é só diminuir a manteiga e refogar com mais leite.

Receita testada e adaptada por Lúcia Resende, revisora da revista Xapuri.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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