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Carta de Pepe Mujica a Fidel: Hasta la victoria… siempre!

Carta a Fidel: Hasta la victoria… siempre! A seguir, em Espanhol e em Português, uma das homenagens mais emocionantes a Fidel, o canto-prece-lamento de ex-presidente do Uruguai e militante das causas sociais na América Latina: Pepe Mujica.  

Querido Fidel,

Recién me entero, la noticia ha sido devastadora. No dejo de imaginarte a vos, tendido en la escueta cama de madera que se convirtió en tu último refugio. Y aqui estoy, sentado en la entrada de la chacra pensando en lo que diré al mundo y cómo ocultaré esta lágrima, aunque dirán algunos publicistas que será mejor que se vea, que así se constitueyn las leyendas.

Las leyendas no se pueden construir, vos eres una, forjada con el mismo golpe de la metralla y la bandera ondeando en el campamento, ahí en la sierra, sin importar si selva o pampa, siempre es igual, la batallha duele en la entraña de lo que llamamos nuestra tierra, ese pedazo de geografía que podemos recorrer pero que nos recorre a nosotros.

Y pienso que tive suerte porque llegué a la silla viejo y la cara de bonachón nunca se me quitó, apesar del encierro de la tortura; las críticas fueron menos, no tuve que enfrentar el rigor del escrutinio público al que vos hiciste frente con esa estatura de gigante con que diste ejemplo al mundo y no fui forzado a debatirme entre patriotas e traidores, nadie me tildó el tirano.  Pera esa suerte también se puede entender diferente.

El mundo que yo encaré es el de las tarjetas de crédito y las vidas consumidas en una lucha para la que no hay guerrilla posible, todos me escuchan  co atención, sonrién, aplauden  y continuan tratando de llenar suas vacías vidas con cosas que los consumen, a plazos, per inevitablemente.

A vos te queda Cuba que seguirá allí, sin analfabetismo, con el mejor sistema de salud pública, con la mejor educación del continente y yo aún aqui,en la batalla, no por la vida, sino contra el olvido, enfrascado en una lucha que no tiene sentido porque el Sur se convierte en más Sur cada día, los monstruos insisten en su avance y ahora nos copan por todos los flancos.

La breve ilusión del continente bolivariano vuelve a desvanecerse, con la partida de Hugo, la ignominiosa salida de Dilma y Critina, mi confinamientoa un escaño del parlamento  y la orfandad en que nos dejas, seguramente pronto el sinsentido de un mundo que no aprende de su historia nos devorará nuevamente.

Las sombras nos acechan y por hoy, querido amigo, vos has partido y no tendremos, por lo menos en este ciclo, una más de esas charlas interminables que insuflaban amor y victoria, de las que yo salía rejuvenecido, sintiendo que podía enfrentar a la más temible de las gárgolas o cruzar el ambismo de un solo impulso, la tristeza es inevitable.

Pero que dirías vos? “Anda, loco, que es para estar tristeando. Qué mas dá? Que solo es carne e pellejo, no te hagas al muerto vos, que la lucha sigue e es pa’lante nomás,” yo digo a mi mente desvariando “Que él no hablaba así, nos seas irreverente”, mejor pensar que habrías dicho algo más brillante, no los cuentos de este viejo loco que hace aplaudir a multitudes, pero no ha podido mover a su pueblo como tú. Qué de la Oriental surja una battalla final?

Difícil, no impossible… mientras tanto a vos, en esa estrella del Caribe, un guiño y un !Hasta la victoria, simpre!

El Pepe

fidel-e-pepe

 

Querido Fidel,

Recentemente soube, a notícia foi devastadora. Não deixo de imaginar você deitado na cama de madeira que se tornou seu último refúgio. E aqui estou, sentado na entrada da chácara pensando no que direi ao mundo e como esconderei essa lágrima, ainda que alguns publicitários digam que será melhor se for vista, que assim se constroem as lendas.

As lendas não podem ser construídas, você é uma, forjada com o mesmo golpe de estilhaços e a bandeira tremulando no acampamento, lá na serra, não se importando de ser selva ou pampas, é sempre igual, a batalha fere as entranhas do que chamamos de nossa terra, aquele pedaço de geografia que podemos percorrer mas que nos percorre.

E acho que eu tive sorte, porque cheguei na cadeira velho e com essa cara de bonachão que nunca sumiu, apesar da prisão e da tortura; as críticas foram menores, não tive de enfrentar os rigores do escrutínio público que você enfrentou com essa estatura de gigante – exemplo para o mundo – e não fui obrigado a lutar entre patriotas e traidores, ninguém me marcou como um tirano. Sorte essa que também pode ser entendida de forma diferente.

O mundo que eu encarei é o de cartões de crédito e vidas consumidas em uma luta para a qual não existe guerrilha possível, todos me escutam com atenção, sorriem, e aplaudem, mas continuam tentando preencher suas vidas vazias com coisas que, mesmo a prestações, inevitavelmente as consomem. Você deixará uma Cuba que continuará sem analfabetismo, com o melhor sistema de saúde pública, com a melhor educação do continente e eu ainda aqui, no campo de batalha, não pela vida, mas sim contra o esquecimento, trancado em uma luta que não tem sentido porque o Sul torna-se mais do Sul a cada dia, os monstros insistem em avançar e agora nos monopolizam por todos os lados.

A breve ilusão do continente Bolivariano volta a se diluir com a partida de Hugo, a saída ignominiosa de Dilma e Cristina, o meu confinamento à uma cadeira do parlamento e a orfandade em que nos deixa; certamente, muito em breve, um mundo que não aprendeu com a sua história irá nos devorar novamente.

As sombras nos rodeiam e por hoje, querido amigo, você se foi e não teremos, pelo menos neste ciclo, mais dessas conversas intermináveis que transbordavam amor e vitória, das quais eu saía rejuvenescido, sentindo que poderia enfrentar a mais assustadora das gárgulas ou atravessar o abismo com um único impulso. A tristeza é inevitável.

Mas o que você diria? “Está louco? Não é para ficar triste! E o que mais dá? É só carne e pele, não se finja de morto, a luta continua e basta seguir adiante”, e eu digo para a minha mente delirante “Ele não falava assim, não seja desrespeitoso!”. Melhor pensar que você teria dito algo mais brilhante, e não as histórias deste velho louco que faz a multidão bater palmas, mas que não foi capaz de mover o próprio povo como você. O que da decisiva batalha Oriental surge? Difícil, não impossível … enquanto isso, a você, nessa estrela no Caribe, uma piscada e um … Até a vitória… Sempre!

Pepe Mujica

 

 

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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