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Caso Adriano: Circunstâncias da morte serão apuradas?

Caso Adriano: Circunstâncias da morte serão apuradas?

Por Fernando Brito/Tijolaço

É óbvio, exceto para mentes prepotentes a que nos acostumamos no caso da Lava Jato, que não se pode inculpar, com as informações que se tem até agora, Jair Bolsonaro ou seu filho na”queima de arquivo” do ex-capitão Adriano da Nóbrega.

Disso, sim, há indícios extremamente fortes, porque os relatos sobre a operação são inacreditáveis.

Imaginar que um especialista em confronto armado, como Adriano, dispararia de peito aberto contra quatro homens armados de escudos e fuzis é menos crível do que se ele praticasse o suicídio. Tiros de fuzil, a cinco ou seis metros de distância teriam atravessado o corpo e marcado as paredes ou, ao menos, as deixariam salpicadas de sangue.

Isso sem contar a história de um homem que chega a um lugar – sozinho – e se diz comprador de cavalos, recebe hospedagem de um promotor de vaquejadas e que é por ele obrigado a levá-lo a uma casa semiabandonada de um vereador…

Há poucas esperanças de que estas circunstâncias sejam apuradas com isenção, uma vez que o Secretário de Segurança da Bahia e o governador Wilson Witzel já vieram, de público, dizer que tudo se passou assim mesmo, antes mesmo de que perícias e autópsia fossem feitas.

Há, porém, o lado político das ligações de intimidade entre Nóbrega e os Bolsonaro.

Mulher e filha do miliciano não foram contratadas, como alegam os advogados de Flávio, “quando ele era um herói e ficha limpa”. Elas não transitaram dinheiro pelas mão de Fabrício Queiroz para comprar copos plásticos para o gabinete, nem foram emitidas quando a coisa “fedeu” pelo caso das “rachadinhas”.

Discursos e medalhas deixam clara a relação entre o presidente e seu filho com ele, tanto solto quanto preso.

Os círculos do dinheiro, que toleravam Jair Bolsonaro como o capataz necessário, agora o aceitarão como o miliciano útil.

E os generais, antes tão ciosos de honra e dignidade, engolirão seus escrúpulos e seguirão garantindo que o “Escritório do Crime” esteja cada dia mais próximo de se tornar o Gabinete do Crime.

Fonte. DCM via Tijolaço

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

Uma resposta

  1. Sejamos realistas, Adriano tinha vínculo quase que parental com o clã Bolsonaro, obviamente, Witzel será o algoz, uma vez que seu objetivo de acabar com a milícia do RJ foi uma das razões que causou a morte do miliciano. No entanto, não fez nada de errado, manteve sua palavra e agiu com a justiça que lhe coube nesse caso, ja que a verdadeira justiça se mantém em omissão, como sempre.

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