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Com entrada da Suíça, Fundo Amazônia avança na captação de recursos

Com entrada da Suíça, Fundo avança na captação de recursos

País prometeu a doação de cerca de R$ 30 milhões para o mecanismo, com liberação imediata. Esta é a sétima nação a participar, além da Comissão Europeia.

Com a entrada da Suíça no Fundo Amazônia, anunciada na última sexta-feira (7), o mecanismo de captação de recursos para projetos ambientais na floresta tropical se fortalece como instrumento de diplomacia ambiental e amplia sua captação. 

A Suíça é a sétima nação a mostrar interesse em participar do Fundo. Além dos doadores históricos – Noruega e Alemanha – com a chegada de Lula ao poder, Reino Unido, França, Espanha e Estados Unidos também já manifestaram sua disposição em doar. 

A Comissão Europeia – instituição independente que representa o bloco de países da União Europeia – também já anunciou sua participação.

Suíça

O anúncio da entrada da Suíça no mecanismo foi feito pela Embaixada do país no . Na quinta-feira (6), o órgão já havia anunciado o interesse e, na sexta-feira (7), declarou que R$ 30 milhões serão disponibilizados para liberação imediata. “Com essa contribuição imediata, a Suíça quer iniciar a cooperação com esse importante instrumento e mostrar seu suporte em favor do compromisso ambiental do Brasil”, diz o comunicado da embaixada, segundo o Jornal Nacional.

Cristiane Prizibisczki – Jornalista. Fonte: O Eco. Foto: Havita Rigamonti/Imazon-Ideflor. Este artigo não representa a opinião da Revista e é de responsabilidade do autor.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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