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Uma bonita história do Ano-Novo

Uma bonita história do Ano-Novo no Cordel de Gustavo Dourado

 
CORDEL DO ANO-NOVO 
 
 Festival do Ano-Novo
Desde a antiguidade
Na velha Mesopotâmia
Foi grande festividade
Nos meus tempos de criança
Festejei a novidade
 
2.000 a.C
Começou o Festival
Na antiga Babilônia
Foi festa primordial
Equinócio da primavera
Lua Nova magistral
 
Festejava-se em março
Era festa de primeira
O povo aproveitava
Sacudia a pasmaceira
Saudava o Sol nascente
Depois da noite festeira
 
A 23 de setembro
Ano-Novo celebrado
Pérsia, Assíria, Fenícia
No Egito… Sol adorado
Na Grécia em dezembro
Era bem comemorado
 

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Na Roma antiga o festejo
No mês de março era dado
Depois passou a janeiro
Por ser Jano cultuado
Há muito tempo o Ano-Novo
Pelo povo é celebrado
 
Em 153 a.C
O ano-novo romano
A festa consolidou-se
No calendário juliano
Dia 1º de janeiro
Calendar gregoriano
 
Em 25 de Março
Era o ano festejado
Chegava a primavera
No mundo do outro lado
Até 1º de Abril
Novo ano cultuado
 
Gregório XIII instituiu
O 1º de Janeiro
Hoje é comemorado
No Ocidente inteiro
Até mesmo no Oriente
Já é ato costumeiro
 
Mudou-se o calendário
O povo festeja a mil
Resquício da tradição
O 1º de Abril
É o Dia da Mentira
Na Europa e no Brasil
 
Na noite de São Silvestre
O povo fica acordado
Para a virada do ano
É preciso estar ligado
Nessa noite não se dorme
É costume consagrado
 
O Ano Novo chinês
É móvel no calendário
Em janeiro ou fevereiro
Li no Perpétuo Lunário
Luzes…Pirotecnia
Fluem do vocabulário
 
A 19 de março
Do calendário atual
Ano-Novo esotérico
De cunho espiritual
Resgata a tradição
Do tempo imemorial
 
Hégira… Rosh Hashaná
Buda…Moisés…Maomé
Cristo Jesus em Belém
Menino de Nazaré
Harmonia para Gaza
Menos bomba, mais café
 
Pé de porco e lentilha
Gritar, correr e dançar
Bombons, balas e doces
Festejos a beira mar
Oferendas para os santos
Fogos explodem no ar
 
Espantem os maus espíritos
Chega de insanidade
Viva-se a comunhão
Basta à barbaridade
É hora de paz e união
Vida, amor e liberdade
 
Fogos e oferendas
E gritos de alegria
Chega de guerra e terror
Fome, ódio, hipocrisia
Paz e amor para todos
Saúde e sabedoria
 
Belos fogos de artifício
Abraços e buzinada
Sonhos e esperança
Nossa alma renovada
Pelo fim da violência
Paz e amor na jornada
 
Abrace, beije, comemore
Faça a renovação
Troque a roupa, lençóis
Alivie sua tensão
Sorria e ilumine-se
Faça uma boa ação
 
10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1
A contagem regressiva
Um adeus ao ano velho
Viva a vida progressiva
Sem guerra e atormento
Consciência reflexiva
 
Um Ano-Novo de luz
O novo sol vai brilhar
Que tudo se concretize
Possa tudo melhorar
Multiverse o dia a dia
O novo ano vai raiar
 
Acabaram-se as festas
Volta-se à realidade
A peleja cotidiana
No campo e na cidade
Trabalhe com fantasia
Na busca da eternidade
 
Um novo ano desperta
Vamos nos harmonizar
Cultivar a irmandade
Humanidade a cantar
Ser sol solidariedade
Os sonhos multiversar
 
Que o Ano-Novo ilumine
Com paz e felicidade
Que o mundo evolua
E floresça a liberdade
Que o Amor prevaleça
E haja mais boa vontade
 
Agora é para valer
2017 logo vigora
A vida a nos guiar
Na poesia que aflora
Vamos todos navegar
Por universos afora
 
O velho ano dormiu
2017 acordou
Continuemos na luta
Novo sonho despertou
A musa renova o verso
A poesia transmutou
 
Para você tudo de bom
Saúde…Felicidade
Novo ano de harmonia
Luz…Solidariedade
Paz…Amor e Alegria
Sucesso…Fraternidade
 
Feliz Ano-Novo
Gustavo Dourado
 
Reflexão para o Novo Ano
Mais um ano que se finda
Um novo ano que vem
Manter a cabeça erguida
Não fazer mal a ninguém
 
O perigo em cada esquina
A luta sempre continua
Fazer o bem é o caminho
Aqui-agora, em casa, na rua
 
Lute para mudar o mundo
E melhorar a sociedade
Distribua amor, paz, alegria
Sem o lucro da infelicidade
 
Respeite a vida a natureza
Não maltrate o semelhante
O que deseja a outrem
A ti retornará adiante
 
Feliz 2017!
ANOTE AÍ:
Gustavo Dourado é um dos maiores poetas-cordelistas do Brasil. Sua excelente e extensa produção literária pode ser encontrada em www.gustavodourado.com.br/cordel.htm.  Gustavo é também presidente da Academia de Letras de Taguatinga.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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