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FORMOSA: O QUE CRULS ENCONTROU POR AQUI

FORMOSA: O QUE CRULS ENCONTROU POR AQUI

: O que Cruls encontrou por aqui

Muito antes dos bandeirantes, comerciantes e bandoleiros, a região do Planalto Central do já havia sido vasculhada por inúmeros cientistas importantes, desde a segunda metade do século XIX.

Por  

O tcheco Johann Emanuel Pohl, o francês Augusto de Saint-Hilaire e o alemão Carl Friedrich Philipp Von Martius  são alguns dos viajantes que, pelos estudos que aqui fizeram, tantos legados deixaram à humanidade.

Com propósitos diferentes e já no Brasil Império, também andou pela região o engenheiro e diplomata brasileiro Francisco Adolfo Varnhagen, mais conhecido como visconde de Porto Seguro.

Sua viagem de seis meses serviu para sugerir um triângulo entre três lagoas existentes no município de Formosa, Goiás, como possível localização de uma nova capital.

Quando Luiz Cruls e sua equipe chegaram ao altiplano central brasileiro, portanto, os descampados ali existentes já estavam repletos de trilhas, caminhos e comunidades instaladas (…).

O grupo que havia passado por Santa Luzia também andou por Mestre D`Armas, mas logo seguiu viagem para Formosa, que era o objetivo daquele trecho da missão. A distância [de Santa Luzia] ao novo ponto da viagem foi de 13 treze dias (…) Ali seria o local de consolidação dos limites que Cruls pretendia alcançar.

Em seus escritos, quatro décadas antes, ao traçar os limites de uma nova capital para o Brasil, o visconde de Porto Seguro havia sugerido que essa vila [de Formosa] fosse a escolhida para a função.

Na localização por ele sugerida, entre as três lagoas existentes naquela parte do Planalto Central, Formosa seria o ponto mais favorável. No entanto, Luiz Cruls não concordava com aquela localização geográfica.

O que Cruls encontrou em Formosa

FORMOSA: O QUE CRULS ENCONTROU POR AQUI
Imagem: Wikipedia

[À época] a maioria das casas ali existentes eram de taipa, todas cobertas com folhas de , portais e janelas de madeira rústica, ruas de terra batida. Enfim, tinha uma aparência de vila pobre, que parecia não condizer com sua história de importante entreposto comercial. Nas fazendas, porém, a feição era diferente.

Os cultos católicos (os únicos “oficiais”) eram realizados na capela Nossa Senhora do Rosário, construída pela comunidade negra, adepta e praticante de cultos de origem africana.

Somente em 1838 foi construída a igreja matriz no Arraial dos Couros. Erigido de maneira também rústica, esse tempo era ainda existente quando da passagem de Cruls.  Funcionou até 1904, quando foi fechando porque ameaçava desabar. Em 1915 foi demolido, dando lugar a uma igreja mais moderna do ponto de vista da construção civil.

(…) Cruls e alguns membros da missão estiveram no vale do Paranã, inclusive no (…) Uma das tarefas do grupo era avaliar a qualidade da água dos mananciais de toda a região, de modo que seus membros permaneceram ali por alguns dias.

(…) Mas também o processamento da produção agrícola foi desenvolvido [em Formosa] com destaque para o açúcar de cana e a farinha de mandioca, que são outras marcas tradicionais de Formosa.

Aliás, a farinha de mandioca tornou-se [para os habitantes de Couros] um alimento fundamental, substituindo o pão. Além das festas do Divino e a quermesse de nossa Senhora do Rosário, todos os anos se realizava a Semana da Moagem da Mandioca, com moinhos movidos por bois, uma festa popular que anima a cidade desde o século XIX.

Ou seja, aquele sítio já era movimentado por comerciantes que ali passavam, ou que iam negociar couros de animais caçados e bois, ou com boiadas em pé e produtos agrícolas. Consta que esses viajantes armavam  barracas com couros de animais, principalmente na área central do lugarejo, daí advindo seu primeiro nome.

Desde 1830, a cidade já contava com um coral, e na segunda metade do século passou a ter também uma banda, no formato das retretas muito comuns nas cidades brasileiras de então. Outras manifestações culturais nos campos da literatura e outras artes também foram registradas, de modo que, embora recatada, a vila tinha movimentação o ano inteiro.

Mais tarde, foram instalados dois postos fiscais próximos ao – um junto à Lagoa Feia, outro perto da cachoeira do Itiquira, nas estradas a oeste e a norte.

Também foram fixadas algumas contendas próximas dali. Só para lembrar, os postos fiscais operavam a cobrança de impostos, enquanto as contendas faziam a contagem das pessoas e animais que passavam, para efeito de conferência.

Foi ali, em Formosa, que a comissão chefiada por Cruls se dividiu nos quatro grupos demarcadores. Após completada a tarefa, todos se encontrariam na capital da província, a cidade de Vila Boa, o que era uma espécie de ação diplomática, de apresentação do grupo às autoridades de Goiás.

Fonte:  Este relato é um excerto do livro “Cruls – Histórias e andanças do cientista que inspirou JK a fazer Brasília.” Jaime Sautchuk.  Editora Geração, 2014. Em Formosa, a Missão Cruls teria chegado em 14 de setembro de 1892.

Respostas de 4

  1. Bom Dia,grato pela matéria D° Zezé,como e bom conhecer o passado da nossa cidade,Formosa dos couros.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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