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Cordel do Ano-Novo

Cordel do Ano Novo

Gustavo Dourado, o nosso querido cordelista, nos deseja Feliz 2021, em forma de Cordel e traça uma linha histórica e interessante sobre a data. Vale ler essas informações

Festival do Ano-Novo
Desde a antiguidade
Na velha Mesopotâmia
Foi grande festividade
Nos tempos de criança
Festejei tal novidade

2.000 a.C
Começou o Festival
Na antiga Babilônia
Foi festa primordial
Equinócio primaveril
A Lua Nova magistral

Festejava-se em março
Era festa de primeira
O povo aproveitava
Sacudia a pasmaceira
Saudava o Sol nascente
Depois da noite festeira

A 23 de setembro
Ano-Novo celebrado
Pérsia, Assíria, Fenícia
No Egito…Sol adorado
Na Grécia em dezembro
Era bem comemorado

Na Roma antiga o festejo
Em março era bem dado
Depois passou a janeiro
Por ser Jano cultuado
Há muito o Ano-Novo
Pelo povo é celebrado

Em 153 a.C:
O ano-novo romano
A festa consolidou-se
No calendário juliano
Dia 1º de janeiro
Calendário gregoriano

Em 25 de Março
Era o ano festejado
Chegava a primavera
No mundo do outro lado
Até primeiro de abril
Novo ano cultuado

Gregório XIII instituiu
O primeiro de Janeiro
Hoje é comemorado
No Ocidente inteiro
E até lá no Oriente
Já é ato costumeiro

Mudou-se o calendário
O povo festeja a mil
Resquício da tradição
O primeiro de abril
É o Dia da Mentira
Na Europa e no Brasil

Na noite de São Silvestre
O povo fica acordado
Para a virada do ano
É preciso estar ligado
Noite de dormir pouco
É costume consagrado

O Ano Novo chinês
É móvel no calendário
Em janeiro ou fevereiro
Li no Perpétuo Lunário
Lumes e pirotecnia
Fluem do vocabulário

A 19 de março
Do calendário atual
Ano-Novo esotérico
De cunho espiritual
Resgata-se a tradição
De um tempo imemorial

Hégira…Rosh Hashaná
Buda…Moisés…Maomé
Cristo Jesus em Belém
E o Menino de Nazaré
Harmonia para o mundo
Menos bomba, mais café

Pé de porco e lentilha
Gritar, correr e dançar
Bombom, bala e doce
Festejos a beira mar
Oferenda para o santo
Fogos explodem no ar

Para você tudo de bom
Saúde e Felicidade
Novo ano de harmonia
Luz.Solidariedade
Paz…Amor e Alegria
Sucesso…Fraternidade

Corte o mal pela raiz
Chega de insanidade
Viva-se a comunhão
Basta à barbaridade
É hora de ter união
Paz, amor e liberdade

Haja fogos, oferendas
E os gritos de alegria
Chega de guerra e terror
Fome, ódio, hipocrisia
Paz e amor para todos
Saúde e sabedoria

Belos fogos de artifício
Abraços e buzinada
Sonhos e esperança
Nossa alma renovada
Pelo fim da violência
Paz e amor na jornada

Deseje o bem a todos
Faça-se a renovação
Troque a roupa, lençóis
Alivie a sua tensão
Sorria e se ilumine
Faça uma boa ação

Seis, cinco, 4, 3, 2, um:
A contagem regressiva
Um adeus ao ano velho
Viva a vida progressiva
Sem guerra e atormento
Consciência reflexiva

Um Ano-Novo de luz
O novo sol vai brilhar
Que tudo se concretize
Possa tudo melhorar
Multiverse o dia a dia
O novo ano vai raiar

Depois das festividades
Volta-se à realidade
Pelejas do cotidiano
No campo e na cidade
Trabalhe com fantasia
Na busca da eternidade

Em tempo de pandemia
Vamos todos nos cuidar
Não transmitir o vírus
Sem ligar para o azar
Agir com consciência
Um novo ser despertar

Acordar para a verdade
A vil mentira evitar
Ser sábio e coerente
Saber conscientizar
Despertar cidadania
Conjugar o verbo amar

Novo ano que acorda
Vamos nos harmonizar
Cultivar a irmandade
Humanidade a cantar
Ser sol solidariedade
Os sonhos multiversar

Que o Ano-Novo ilumine
Com paz e felicidade
Que o mundo evolua
E floresça a liberdade
Que o Amor prevaleça
E haja mais boa vontade

Agora é pra valer
2021 logo vigora
A vida a nos guiar
Na poesia que aflora
Vamos todos navegar
Por multiversos afora

2020 dormiu
2021 acordou
Continuemos na luta
Novo sonho despertou
A musa renova o verso
E a poesia transmutou

Feliz Ano-Novo
Gustavo Dourado

Reflexão de Ano-Novo

Mais um ano se finda
Um novo ano que vem
Manter a cabeça erguida
Não fazer mal a ninguém

Perigo em cada esquina
Cuide dos seus e da rua
Fazer o bem é o caminho
A luta sempre continua…

Chega de ódio e mal
Melhorem a sociedade
Cultivem amor e alegria
Um basta à infelicidade

Ame a paz a natureza
Respeite o semelhante
O que deseja a outrem
A ti retornará adiante

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Gustavo Dourado é Presidente da Academia Taguatinguense de Letras, escritor , cordelista e parceiro da ALANEG – Academia de Letras e Artes do Nordeste Goiano/RIDE.

 


 

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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