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Deixemos o pessimismo para tempos melhores

Deixemos o pessimismo para tempos melhores

Deixemos o pessimismo para tempos melhores

Por Emir Sader

Ninguém como Lula conhece a importância do trabalho de transformação da consciência política do povo, ele, que dedica sua prática política em grande medida a isso, como o melhor comunicador de massas que temos. Quem não vive essa experiência de massas corre o grave risco desse tipo de réplica, de quem nunca viveu o trabalho de conscientização do povo, no meio do povo, vivendo suas realidades.

Pelo visto, olhado de fora do Brasil, o país parece pior ainda. Se desenvolve uma visão pessimista, desalentadora, de quem não consegue apreender a realidade nos seus componentes contraditórios, que o compõem inerentemente. Quem viveu outros momentos de retrocesso no Brasil aprendeu da realidade como se pode reverter situações negativas.

O próprio Lula começou sua atividade política em plena ditadura, foi protagonista essencial na reversão daquelas condições. O otimismo é inerente à militância política, que sempre acredita que a prática política de massas pode reverter as derrotas e abrir horizontes mais favoráveis.

Nunca as situações difíceis demoraram décadas para serem revertidas. Essa é uma postura psicologista, que pode levar pessoas a se desmoralizarem, até a sair do país (falar de séculos é uma demonstração do psicologismo).

Realmente o país nunca viveu uma situação tão difícil como esta. Qualquer um tem o direito, aqui ou lá fora, de manifestar seus estados de ânimo. Mas transformar isso em posição e previsão política é um grave erro político e tem um papel negativo, pela sua posição unilateral, redutiva, com um forte peso subjetivo, de quem não conhece a realidade concreta.

Se acumulam hoje no Brasil uma crise econômica que, de recessão já no fim do primeiro ano do governo atual, se transformou em depressão econômica, sem que exista nenhum movimento que possa levar à superação dessa situação. Uma crise social, já existente antes da pandemia, quanto havia 12 milhões de desempregados e 42 milhões de pessoas em situação de precariedade. Qualquer tipo de avaliação diz que pelo menos metade da população brasileira se encontra em situação de precariedade.

A elas se acrescenta a crise de saúde pública, que levou o país a ser o segundo no mundo em vítimas, pela total ausência de políticas governamentais que protegessem o povo da pandemia. A existência de um governo eleito de forma fraudulenta e que exerce o poder das formas mais arbitrárias e truculentas agrega uma crise política à situação atual do país.

Os indispensáveis, segundo Brecht, são os que não esmorecem nunca, os que acreditam que sempre é possível reverter as situações, por maiores que sejam as dificuldades. São os que têm liderança e credibilidade, porque nunca desanimaram, nunca caíram no pessimismo; são os que conduziram o povo a reverter as situações mais difíceis.

O pessimismo é uma postura psicológica, que seleciona e acumula os aspectos negativos da realidade e projetam um futuro catastrófico. Não tem força assim para enfrentar a realidade como ela é, que nunca tem uma única tonalidade.

O pensamento dialético ensina captar a realidade sempre como uma realidade contraditória, que combina elementos positivos e negativos. Por isso é uma realidade dinâmica, sempre em transformação, numa ou noutra direção.

Não é simples captar a realidade nas suas múltiplas dimensões. Só a prática política concreta, combinada com a capacidade de reflexão sobre suas múltiplas dimensões concretas, permite compreender a realidade e se pronunciar e propor formas e vias de transformação positiva da realidade.

Deixemos o pessimismo para tempos melhores

emir saderEmir Sader. Sociólogo. Membro do Conselho Editorial da Revista Xapuri.


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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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