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Democracia em Vertigem: Documentário brasileiro sobre o golpe pode ser indicado ao Oscar

Democracia em Vertigem: Documentário brasileiro sobre o golpe pode ser indicado ao Oscar

Por Pedro Pliher/DCM

Lançado nesta semana, o documentário “Democracia em Vertigem”, da Netflix Brasil e que acompanha os bastidores do poder durante a ascensão e queda do PT sob o comando de Dilma Rousseff e narra a costura para o impeachment da ex-presidente pode ser indicado ao Oscar.

Quem faz essa afirmação é o site IndieWire, um dos mais importantes veículos de avaliação do cinema e de séries dos EUA e que lançou uma review especial do documentário. Com o título em inglês “The Edge of Democracy”, a produção foi considerada um dos cinco documentários lançados até o momento e que são favoritos para ser indicados à estatueta do mais importante prêmio do cinema mundial.

O site, porém, faz uma ressalva de que estamos ainda no mês de junho e estão previstos outros documentários para serem lançados no segundo semestre e que isso pode atrapalhar os planos de “Democracia em Vertigem”, porém o veículo afirma tratar-se de um filme envolvente, sério e que leva ao público uma visão panorâmica do que vem acontecendo na política brasileira nas duas últimas décadas.

O filme em si vem sofrendo todo tipo de comentários entre o público brasileiro. Desde que foi lançado, o documentário recebe elogios de quem é mais alinhado ao espectro da esquerda política brasileira, enquanto é alvo de duras críticas de membros da direita conservadora.

Democracia em Vertigem (título em inglês: The Edge of Democracy) é um documentário de 2019 dirigido por Petra Costa.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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