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“Devia ser proibido um pai enterrar um filho, um avô enterrar um neto.” #ForçaLula

Lula perdeu o neto Arthur no final da manhã deste primeiro dia do mês de março. Nossoa solidariedade ao avô Luiz Inácio e à família Lula da Silva, pela perda precoce deste desta criança tão amada, deste ser humano tão precioso.

#ForçaLula

“Devia ser proibido um pai enterrar um filho, um avô enterrar um neto.”

Essas foram, segundo a deptuada federal Gleisi Hoffmann, presidenta do PT, as palavras de Lula ao saber do encantamento do pequeno Arthur Araújo Lula da Silva, de apenas 7 anos de idade, vítima de uma meningite, em São Paulo. Segundo Gleisi, Lula está abatido, chorando muito. Não é pra menos. Ninguém passa por uma dor dessas impunemente. Nesse calvário de uma prisão política depois de uma condenção sem crime e sem provas, Lula já perdeu a companheira de vida, Mariza, o irmão Vavá, e agora o neto Arthur. É muita dor.

Dessa vez, ao contrário da crueldade porque passou duante o funeral de Vavá, quando a juiza de Curitiba não autorizou a ida de Lula para o velório, e o ministro Toffoli, num gesto extremo de crueldade, libera a viagem a menos de meia hora do enterro, o presidente obteve, junto à Polícia Federal em Curitiba, o direito de velar e enterrar o neto. Segundo seus advogados, a autorização foi concedida com base na Lei de Execução Penal. O PT informa que o velório será no Cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo (SP), com cremação prevista para as 12h do dia 2 de março.

Enquanto o Brasil que tem no peito um coração se solidariza com Lula e sua família, nós nos somamos nessa corrente de solidariedade, reproduzindo os versos de Pedaço de mim, do Chico e, assim, desejando muia força ao presidente Lula.

Pedaço de Mim

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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