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É o desemprego, estúpido!

É o desemprego, estúpido!

Por Ricardo Melo, do Jornalistas pela Democracia no  brasil247

O fato mais importante das últimas semanas, de longe, foi a publicação dos números sobre o desemprego no Brasil. Cerca de um milhão de brasileiros se juntaram a um contingente que não encontra trabalho e não têm como sustentar a si mesmos e suas famílias.

São dados oficiais. A taxa de desemprego subiu e atingiu 13,1 milhões de pessoas. No trimestre anterior, o número de desempregados estava em 12,2 milhões. O salto foi, portanto, de 11,6% para 12,4%. A taxa de subutilização da força foi de 24,6%, outra alta em relação ao trimestre anterior, quando havia ficado em 23,9%. A população subutilizada, estimada em 27,9 milhões de pessoas, é recorde para a série histórica da pesquisa, iniciada em 2012.

Pior. Os números, provavelmente, estão subestimados. O IBGE considera como empregados gente que “abre” uma microempresa para fazer bicos como vender bolos de nada, panos de prato, pacotes de doces, prestar serviços de jardinagem, pintura ou o que mais seja.

Profissionais qualificados, no auge de sua força de trabalho, hoje estão relegados à condição de motoristas de Uber e olhe lá.

Quem circula pelas ruas tem certeza disso. A quantidade de miseráveis e desvalidos dormindo em calçadas ao relento cresce diariamente. Isso nas grandes cidades. Imagine-se o que ocorre em regiões mais pobres país afora. É uma espécie de genocídio silencioso.

Nada disso ganha destaque merecido na mídia oficial ou mesmo em portais alternativos. Os assuntos prediletos são Olavo de Carvalho, brigas no MEC, twitters destrambelhados, sentenças contra mortos-vivos como Temer e asseclas, troca de farpas entre Rodrigo “Botafogo” Maia e Bolsonaro, humores do tal mercado. Haja paciência.

Não que tudo isso não tenha sua importância. Mas nada disso se compara à gravidade da situação em que milhões de brasileiros não têm meios de sobreviver. Quem é Vélez Rodriguez na fila do pão? Gente mais esclarecida sabe que se trata de um idiota, à semelhança do gabinete de ministros de que faz parte e do presidente que o dirige. Mas perder tanto tempo em bater nesta e em outras teclas parecidas é cair no jogo da camarilha que assumiu o Planalto em janeiro.

O que falta no cenário político atual é fugir desta pauta. O que o povo quer saber é como garantir condições mínimas de existência para quitar as contas, pagar o café da manhã, o almoço e o jantar. Ter um emprego digno, com direitos assegurados e um amanhã ao menos razoável para suas famílias.

A oposição precisa acordar. A começar das lideranças sindicais e políticas. Tomar iniciativas de mobilização de massa e dar visibilidade a elas.

Por que a oposição até agora não entrou com um pedido de impeachment de Bolsonaro? Motivos não faltam. Muitos parlamentares fariam muito melhor se estivessem organizando suas bases do que discursando para ninguém. Mais do que retórica, o ambiente requer ação. Sobra dinheiro no Congresso. Em vez de manter gabinetes faustosos, que seja utilizado para honrar o mandato que parlamentares combativos receberam.

E as centrais sindicais, por onde andam? Sim, os recursos evaporaram em boa parte. Mas certamente ainda há verbas para falar com o chão de fábrica, dialogar com o trabalhador real, mostrar que só haverá luz no fim do túnel com a luta e determinação da força popular.

Denunciar os desmandos deste governo títere sempre será necessário. Mas as ideias e querelas ideológicas só se transformam em força material se ganharem o povo. E o povo quer emprego, educação decente, saúde pública. Viver.

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Fonte: https://www.brasil247.com/pt/colunistas/ricardomelo/388587/%C3%89-o-desemprego-est%C3%BApido.htm

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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