EDINHO SILVA DEFENDE AGENDA NACIONAL PARA PROMOVER O DESENVOLVIMENTO

EDINHO SILVA DEFENDE AGENDA NACIONAL PARA PROMOVER O DESENVOLVIMENTO

EDINHO SILVA DEFENDE AGENDA NACIONAL PARA PROMOVER O DESENVOLVIMENTO

Em sua primeira entrevista como presidente eleito do Partido dos Trabalhadores ao UOL, no dia 4 de julho, Edinho Silva delineou os desafios estratégicos que o PT terá pela frente com vistas à reeleição do presidente Lula em 2026. Edinho tratou desde a perpetuação do legado do presidente Lula até a necessidade de o partido se reinventar, dialogar com novas realidades sociais e propor uma agenda nacional robusta, sintonizada com as necessidades do Brasil.

“O presidente Lula tem um legado que se confunde com a própria história do Partido dos Trabalhadores. Na minha avaliação, ele vai ter influência nos rumos do PT eternamente, enquanto o PT existir.  Mas claro que o grande desafio é nós organizarmos um partido que tenha capacidade de fazer disputa na sociedade quando o presidente Lula não estiver mais nas urnas”, afirmou o petista. 

“Evidente, ele também disputa em 2026, mas como todo ser humano, ele tem o direito também ao descanso, ao lazer. E ele dedicou a sua vida toda à militância política, à organização do movimento sindical, organização dos movimentos sociais e à construção do próprio partido”.

O novo presidente do PT reforçou a visão de Lula sobre sua própria sucessão, que aponta para o fortalecimento da sigla como caminho principal. Para ele, o sucessor será a legenda. “E se o partido estiver forte, estiver organizado, estiver dialogando com a sociedade brasileira, um partido constrói as lideranças. Então, eu penso que o desafio do PT é esse, se fortalecer, ser um partido que se atualize”.

AGENDA NACIONAL E REFORMA POLÍTICA 

O presidente eleito do PT defendeu que o partido se aprofunde em temas cruciais para o país. Para Edinho, os grandes temas da conjuntura não encontram espaço no Congresso por causa da atual correlação de forças.

“Temos de enfrentar um debate da segurança pública, formular sobre segurança pública. O partido precisa efetivamente debater a questão da reforma política eleitoral, o Brasil precisa de uma reforma política eleitoral, nós não podemos continuar com a dinâmica política do nosso país, nesse varejo que nós estamos hoje, sem uma agenda nacional, sem uma agenda de debates que coloque à mesa as principais lideranças do país para debater temas emergentes”, avaliou.

“Eu falei agora de segurança pública, eu falei de transição energética, de urgência climática, nós temos que debater a questão das terras raras, que é um debate também emergente e que está na minha avaliação por trás dessa ofensiva diplomática que o Brasil tem sofrido do governo Trump, nós temos que debater as nossas reservas de petróleo da costa equatorial, um projeto de desenvolvimento sustentável para a Amazônia,”, enumerou Edinho.

Sobre a Amazônia, ele propôs uma abordagem inovadora. “Se você criar um fundo com as reservas da costa equatorial, nós temos condições de ter uma política muito mais ofensiva de recuperação da floresta amazônica, de monitoramento contra o desmatamento e, claro, de um programa de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, para a Amazônia legal”.

“Ainda ontem, durante a minha posse, eu ressaltava a questão da educação integral. Como que o Brasil pode se tornar um país justo se nós não debatermos as criações, a condição orçamentária para que o Brasil universalize a educação integral, que nós possamos universalizar o direito à creche das crianças, principalmente na primeira infância. Então, são temas centrais que têm que mover o Partido dos Trabalhadores e, claro, influenciar na agenda nacional, na agenda do nosso país”, insistiu o petista.

FRENTE AMPLA E CENÁRIO GLOBAL 

Sobre as alianças políticas, Edinho Silva foi enfático na necessidade de replicar a bem-sucedida estratégia que levou Lula à vitória no pleito eleitoral. “Nós temos que repetir as alianças que nós construímos no segundo turno em 22. 

Não tenho absolutamente nenhuma dúvida em relação a isso. Nós temos que conversar com partidos, nós temos que conversar com representações da sociedade, nós temos que conversar com lideranças da sociedade civil que estejam abertas a enfrentar o debate que está colocado no mundo”, argumentou Edinho.

O presidente do PT foi crítico ao governo Trump e advertiu para consequências globais da postura do extremista. “Quando a gente ressalta a violência diplomática que o Brasil sofreu no último período em relação ao governo Trump, nós temos que contestar o que o Trump tem sido. Claro que no Brasil ele deu um recorte, um verniz político”, explicou.

 “Na minha avaliação, na verdade, é um verniz mesmo, é uma cortina de fumaça, porque os interesses dos Estados Unidos, claro que vão muito além do debate das relações com a família Bolsonaro, que também na minha avaliação se posicionaram de forma muito equivocada nesse embate. E lideranças hoje hegemonizadas pelo bolsonarismo também se posicionaram de forma muito equivocada, não defendendo os interesses brasileiros.”

Edinho Silva alerta para os riscos de um conflito em escala global. “Só que a Terceira Guerra Mundial certamente não será bélica, ela será econômica. Mas a guerra econômica provoca danos a setores da economia e, por consequência, vai gerar desemprego, vai gerar empobrecimento, vai gerar desorganização da economia mundial, inclusive afetando a economia americana. 

Então, esse ambiente bélico de violência, de perseguição aos imigrantes, de manifestações racistas que nós estamos vendo no mundo afora, isso também se reflete no Brasil.”

RECONEXÃO COM AS PERIFERIAS 

Edinho fez ainda uma veemente defesa do retorno do PT às periferias e da busca por novas formas de diálogo com a classe trabalhadora contemporânea.

“Eu tenho defendido muito que o Partido dos Trabalhadores tem que voltar a ter presença nas periferias, presença nas periferias para que a gente possa debater a vida real”. 

Para o dirigente, a classe trabalhadora de hoje não está mais atraída pelo que considera formas mais tradicionais de organização sindical. “Muitas vezes o cooperativismo, por exemplo, dialoga muito mais com essa classe trabalhadora”, definiu.

Fonte: Partido dos Trabalhadores.Capa: Agência PT.

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UMA REVISTA PRA CHAMAR DE NOSSA

Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

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