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El grito de la tierra – Duerme Negrito

El grito de la tierra – Duerme Negrito
 
DUERME NEGRITO
El grito de la tierra (1970)
A música é um Acalanto ou canção de ninar. Música lírica, anônima, popular e folclórica (tradicional). Quem a regatou do imaginário popular foi Atahualpa Yupanqui (Héctor Roberto Chavero Aramburo), músico, compositor, cantor e violonista argentino, já falecido. Hector adotou o nome de Atahualpa em homenagem ao grande guerreiro inca.
É uma das mais belas canções de ninar que existem. Sua origem provável é o folclore da região do Caribe, mas ninguém sabe ao certo porque se tornou muito popular em mais de vinte países de língua espanhola nas Américas.
 
Todas as mães dizem que cantar essa canção para seus filhos cria uma atmosfera de grande intimidade e que o aspecto assustador dos versos, que também acontece em várias canções de ninar brasileiras (como o “Boi da Cara Preta”), é quebrado pela deliciosa onomatopeia final, além de que revela que o amor supera o medo.
Prestem atenção na letra, onde diz que a mamãe da criança está trabalhando a roça, mas não lhe pagam, é viúva e está doente, tossindo, e continua trabalhando e prometendo trazer gostosuras pra o filho. O canto em voz baixa normalmente não é acompanhado por instrumentos, mas apenas pela batida num tamborzinho.
Duerme Negrito, antes, era cantado pelas mães ao deixarem os filhos para seguirem para o campo, em trabalho exaustivo e, muitas vezes, não remunerado, ou em regime de semi-escravidão.  É  um carinho libertário e amoroso, uma canção-símbolo da América do Sul e da luta das mulheres camponesas. Mercedes Sosa emprestou sua grandiosa voz para que possamos refletir sobre o tema e valorizarmos todas as mulheres do campo.

Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo negrito
Duerme, duerme, mobila
Que tu mama está en el campo, mobila

Te va traer codornices
Para ti
Te va a traer rica fruta
Para ti
Te va a traer carne de cerdo
Para ti
Te va a traer muchas cosas
Para ti

Y si el negro no se duerme
Viene el diablo blanco
Y Zas! le come la patita
Chacapumba, chacapumba, apumba, chacapumba
Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo, Negrito

Trabajando
Trabajando duramente, trabajando sí
Trabajando e va de luto, trabajando sí
Trabajando e no le pagan, trabajando sí
Trabajando e va tosiendo, trabajando sí

Para el negrito chiquitito
Para el negrito si
Trabajando sí, trabajando sí
Duerme, duerme, negrito
Que tu mama está en el campo
Negrito, negrito, negrito

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Era novembro de 2014. Primeiro fim de semana. Plena campanha da Dilma. Fim de tarde na RPPN dele, a Linda Serra dos Topázios. Jaime e eu começamos a conversar sobre a falta que fazia termos acesso a um veículo independente e democrático de informação.

Resolvemos fundar o nosso. Um espaço não comercial, de resistência. Mais um trabalho de militância, voluntário, por suposto. Jaime propôs um jornal; eu, uma revista. O nome eu escolhi (ele queria Bacurau). Dividimos as tarefas. A capa ficou com ele, a linha editorial também.

Correr atrás da grana ficou por minha conta. A paleta de cores, depois de larga prosa, Jaime fechou questão – “nossas cores vão ser o vermelho e o amarelo, porque revista tem que ter cor de luta, cor vibrante” (eu queria verde-floresta). Na paz, acabei enfiando um branco.

Fizemos a primeira edição da Xapuri lá mesmo, na Reserva, em uma noite. Optamos por centrar na pauta socioambiental. Nossa primeira capa foi sobre os povos indígenas isolados do Acre: ‘Isolados, Bravos, Livres: Um Brasil Indígena por Conhecer”. Depois de tudo pronto, Jaime inventou de fazer uma outra boneca, “porque toda revista tem que ter número zero”.

Dessa vez finquei pé, ficamos com a capa indígena. Voltei pra Brasília com a boneca praticamente pronta e com a missão de dar um jeito de imprimir. Nos dias seguintes, o Jaime veio pra Formosa, pra convencer minha irmã Lúcia a revisar a revista, “de grátis”. Com a primeira revista impressa, a próxima tarefa foi montar o Conselho Editorial.

Jaime fez questão de visitar, explicar o projeto e convidar pessoalmente cada conselheiro e cada conselheira (até a doença agravar, nos seus últimos meses de vida, nunca abriu mão dessa tarefa). Daqui rumamos pra Goiânia, para convidar o arqueólogo Altair Sales Barbosa, nosso primeiro conselheiro. “O mais sabido de nóis,” segundo o Jaime.

Trilhamos uma linda jornada. Em 80 meses, Jaime fez questão de decidir, mensalmente, o tema da capa e, quase sempre, escrever ele mesmo. Às vezes, ligava pra falar da ótima ideia que teve, às vezes sumia e, no dia certo, lá vinha o texto pronto, impecável.

Na sexta-feira, 9 de julho, quando preparávamos a Xapuri 81, pela primeira vez em sete anos, ele me pediu para cuidar de tudo. Foi uma conversa triste, ele estava agoniado com os rumos da doença e com a tragédia que o Brasil enfrentava. Não falamos em morte, mas eu sabia que era o fim.

Hoje, cá estamos nós, sem as capas do Jaime, sem as pautas do Jaime, sem o linguajar do Jaime, sem o jaimês da Xapuri, mas na labuta, firmes na resistência. Mês sim, mês sim de novo, como você sonhava, Jaiminho, carcamos porva e, enfim, chegamos à nossa edição número 100. E, depois da Xapuri 100, como era desejo seu, a gente segue esperneando.

Fica tranquilo, camarada, que por aqui tá tudo direitim.

Zezé Weiss

P.S. Você que nos lê pode fortalecer nossa Revista fazendo uma assinatura: www.xapuri.info/assine ou doando qualquer valor pelo PIX: contato@xapuri.info. Gratidão!

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